Filosofia Caraíba


O título do blog não quer fazer referência ao seu sentido literal, qual seja, "homem branco". Mesmo porque não sou um - quer dizer, não no sentido em que os nativos da américa (que não são índios, já que aqui não é a Índia) se referem ao "homem branco". 

Muito menos seja eu um racista, apesar de não cair no conto da Ali Kamel de que não existe racismo no Brasil.

Aqui, Caraíba se reporta aoManifesto Antropófago de Oswald Andrade, que faz alusão a uma "Revolução Caraíba". Numa certa interpretação - minha - podemos entender Caraíba como "sobrenatural", ou "descomunal". De modo que a revolução seria, assim, uma Revolução Descomunal.

Mas aqui é menos. Como um diletante afeito à diversidade cultural, que não se ilude com o modo como a coisa é tratada pela tradição liberal, valorizo muito o movimento modernista brasileiro, que, ao meu ver, foi um primeiro raiar de luz para a emancipação da cultura brasileira.

Essa perspectiva tem efeitos nas pesquisas que desenvolvo. E em decorrência, nas propostas que tenho para o mundo. 

Essencialmente, essa é uma visão-de-mundo que se articula em torno do pluralismo. Que tenta ser inclusiva, em vez de exclusiva. Que busca compreender, no mais largo sentido do termo.

É por isso que no lema deste blog lê-se: antropófagos de todos os mundos, uni-vos. 

Explicar a ideia é pior do que explicar uma piada, pois é sempre pressupor a incapacidade do interlocutor. 

Mas aqui seria pior: pois seria subsumir a infinidade de significações possíveis àquela que este diletante teve ao escrever. Em outras palavras, seria contradizer o fundamento pluralista de que há sempre outra significação possível. 

E talvez melhor.

De todo modo, o texto é feito em cima de referências históricas das mais claras, deglutidas propriamente por um espírito que quer ver sempre a possibilidade do "outro". 

E o tenta de forma sutil com a junção de dois mundos em princípio bastante distintos. . . mas que se encontram num horizonte possível.

E inconcluso, porque vivo. 

Dinâmica e possibilidade são termos que guardam entre si uma proximidade enorme, que o uso cotidiano obscureceu.

Dynamis é o movimento; portanto, mudança; portanto, o não-ser-o-que-já-é, para ser-o-que-se-faz, na própria ação.

O possível é sempre o que está por vir, e vem através do movimento, da mudança. 

O que não muda, não tem vida.

E o que tem vida, não fica igual, parado. 

Então não faz sentido submeter tudo a um significado.

E tirar-lhe a vida.