sábado, 9 de março de 2013

O que é um feriado???


Todos os feriados - dias comemorativos de acontecimentos históricos supostamente constituintes de nossa história e de nossa identidade cultural - por acaso se converteram em datas para consumo de itens específicos? 



Digo isso pois não foram poucas as postagens no dia das mulheres (muitas delas feitas por mulheres. . .) felizes por ganharem maquiagem, sapatos ou coisa que o valha. . . 

E o sentido histórico da luta pela igualdade de direitos e pelo fim da opressão??? - não deve ser bom para os negócios! . . 

Na primeira vez farsa; na segunda, tragédia; depois da terceira, oportunidade de negócios. 

Se fizerem um dia comemorativo ao socialismo, certa e fatalmente ele se converterá num dia para comprar e presentear alguém com camisetas do Che Guevara. . .

sábado, 2 de março de 2013

Da divisão igualitária da estupidez humana

Na abertura do Discurso do Método, Descartes faz uma das afirmações mais irônicas de sua obra - prova de que algum bom humor passava pela mente do árido defensor da racionalidade matemática. (Não sei se cabe explicar a ironia. . . isso seria pressupor pouco de você, caro leitor, além de dar a mim a ingrata tarefa de explicador de piadas, que rivaliza fortemente com tudo que há de mais desagradável na convivência social. . .)

A afirmação é a seguinte:

"Não se encontra no mundo coisa mais bem distribuída que o bom senso, visto que cada indivíduo acredita ser tão bem provido dele que mesmo os mais difíceis de satisfazer em qualquer outro aspecto não costumam desejar possuí-lo mais do que já possuem."


Pois bem. Ainda que irônica - talvez sarcástica -, a afirmação de Descartes parece se encaixar bem na descrição da autoafirmação de cada um de nós. 

O problema está na contraparte de sua declaração. Em termos lógicos, poder-se-ia dizer que trata-se de uma condição necessária, mas não suficiente, para a compreensão dos juízos de valor dos indivíduos sobre o mundo.

A contraparte da qual eu falo é a que se opõe à afirmação de si: qual seja, a afirmação do outro. 

Em letra de forma: enquanto todos se afirmam dotados suficientemente de bom senso, creditam aos outros sempre o seu oposto: a estupidez - às vezes somente a grupos determinados, mediante uma prévia categorização que não é muito mais do que arbitrária e semi-erudita.