quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Anonymous desmascara a Veja

Saiu no Viomundo

"A Veja desta semana tenta linkar o movimento Anonymous com os protestos anti-corrupção no Brasil, utilizando a máscara de Guy Fawkes, símbolo do movimento, em sua capa. Um show de manipulação, já que uma coisa não tem nada a ver com outra."

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Pitaco d'O Caraíba

Pois é. 

É uma estratégia que vem sendo pensada faz um tempo.

Depois de fazer cairem no descrédito todas as manifestações legitimamente populares - do MST à greve dos professores (e, no caso de SP, até confronto entre polícia civil e militar), agora a Veja e os demais instrumentos ideológicos da vanguarda do atraso paulista querem mobilizar o povo, indignado com a corrupção no Brasil.

E os movimentos têm sido um fiasco. 

Esvaziados. 

domingo, 23 de outubro de 2011

O casamento entre capitalismo e democracia acabou

Já tomamos consciência de que não há mais chão???
Por Slavoj Zizek, do Diário Liberdade , via Escrevinhador
Discurso proferido na ocupação de Wall Street

Dizem que somos sonhadores, mas os verdadeiros sonhadores são aqueles que pensam que as coisas podem continuar indefinidamente da mesma forma.

Não somos sonhadores. Somos o despertar de um sonho que está se transformando num pesadelo. Não estamos destruindo coisa alguma. Estamos apenas testemunhando como o sistema está se autodestruindo.

Todos conhecemos a cena clássica do desenho animado: o coiote chega à beira do precipício, e continua a andar, ignorando o fato de que não há nada por baixo dele. Somente quando olha para baixo e toma consciência de que não há nada, cai. É isto que estamos fazendo aqui.

Estamos a dizer aos rapazes de Wall Street: “hey, olhem para baixo!”

Em abril de 2011, o governo chinês proibiu, na TV, nos filmes e em romances, todas as histórias que falassem em realidade alternativa ou viagens no tempo. É um bom sinal para a China. Significa que as pessoas ainda sonham com alternativas, e por isso é preciso proibir este sonho. Aqui, não pensamos em proibições. Porque o sistema dominante tem oprimido até a nossa capacidade de sonhar.

sábado, 22 de outubro de 2011

Chega de sangue

Este atabalhoado blogueiro, que nada escreve há tempos - mas que jura ter ideias que ocupam sua fundida cuca, e que as escreverá tão logo seja possível - republica aqui um excelente texto de Santayana sobre a morte de Kadafi.


 
 

 
Diante da imagem de Kadafi trucidado, e dos aplausos de Mrs. Clinton e de dirigentes franceses, ao ver o homem seminu e ensangüentado, recorro a um testemunho indireto de Henri Beyle – o grande Stendhal, autor de Le Rouge e le Noir – de um episódio de seu tempo. Beyle foi oficial de cavalaria e secretariou Napoleão por algum tempo. Em 1816, em Milão, Beyle ficou conhecendo dois viajantes ingleses, o poeta Lord Byron e o jovem deputado whig John Hobhouse. Coube a Hobhouse relatar o encontro, no qual Beyle impressionou a todos os circunstantes, narrando fatos da vida de Napoleão. São vários, mas o que nos interessa ocorreu logo depois da volta do general a Paris, em seguida à derrota em Moscou. Durante uma reunião do Conselho de Estado, da qual Beyle foi o relator, descobriu-se que Talleyrand havia escrito três cartas a Luís de Bourbon, que restauraria, dois anos mais tarde, o trono. As cartas, que se iniciavam com o reconhecimento de vassalagem, no uso do pronome “Sire”, revelavam que o bispo já conspirava contra o Imperador. Os membros do Conselho decidiram que Talleyrand devia ser castigado com rigor – ou seja, condenado à morte. Só um homem, e com a autoridade de “arquichanceler” do Império, Cambacérès, se opôs, com voz firme: Comment? toujours de sang? Napoleão, que estava deprimido com as cenas de seus soldados mortos no campo de batalha, ficou em silêncio.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A sociologia James Brown d’O Globo

Este diletante e convalescente blogueiro - que há tempos nada escreve - tem o prazer de reproduzir aqui um post do Tijolaço, que recomendo tanto quanto chá depois do almoço.

Que os editoriais de O Globo ataquem o Governo, nenhuma novidade. Que se apresente como paladino da moral e dos bons costumes políticos, também nenhuma novidade, porque não lhes cora o rosto terem crescido sob o manto de uma ditadura que cobriu a Globo como quem sombreia um cogumelo para que este viceje . 

Mas hoje, a pretexto de apoiar as manifestação anticorrupção como efeito da inflação, do aumento de impostos (quais?) e, claro, do governo eleito pelo povo, baixa-lhe o espírito de James Brown (que sua memória me perdoe) e saca uma explicação para a esqualidez destas atos, que são – malgrado boas intenções de alguns de seus participantes – nitidamente insuflados pela oposição e pela mídia.

Diz que é o “feel good factor”.

domingo, 2 de outubro de 2011

Lição de democracia se pratica em casa, não é?

Reprodução de post do Tijolaço
A imagens veiculadas pelo The New York Times não mostram qualquer quebra-quebra, agressão ou algo que possa ser classificado de atos de violência que justificassem a prisão de mais de 700 manifestantes que se dirigiam a Wall Street, o cnetro financeiro do mundo, para reclamar da subseviência do sistema político americano – e mundial – ao capitalismo financeiro. Além do mais, num sábado à tarde, nem mesmo se pode dizer que isso provocaria um transtorno irremediável à vida da cidade.
Os Estados Unidos, sempre prontos a apoiar manifestações civis pacíficas e desarmadas em toda a parte do mundo onde haja um governo que lhe seja hostil, não praticam as lições que pregam?
Não é possível que mais de 700 pessoas tenha “se passado” na manifestação sem que haja registro de cenas de violência por parte dos manifestantes. E, até agora, não há. O próprio video distribuído pela polícia novaiorquina não mostra qualquer ato de vandalismo. O policial apenas lê um texto dizendo que, se atravessarem a ponte, serão acusados de “conduta desordeira”, o que é o alegado para a prisão.

Convenhamos que, assim, dá para enquadrar qualquer manifestação como desordem, não é?
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Pitado d'O Caraíba

Se fosse aqui, estaria o Datena a bradar pela prisão de todos os "desocupados" que estão atrapalhando o trânsito. 

E seriam ouvidos por todos aqueles que votam - em SP - no mesmo modelo de governo que já há pelo menos duas décadas não faz senão assistir os números crescentes de trânsito.

sábado, 1 de outubro de 2011

Pobres que trabalham e estudam têm jornada maior que operários do século XIX


O economista Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), classificou ontem à noite em Curitiba como “heróis” os brasileiros de famílias pobres capazes de conciliar o trabalho com o estudo.

“No Brasil, dificilmente um filho de rico começa a trabalhar antes de terminar a graduação ou, em alguns casos, até mesmo a pós-graduação”, observou Pochmann.

“Os brasileiros pobres que estudam e trabalham são verdadeiros heróis. Submetem-se a uma jornada de até 16 horas diárias, oito de trabalho, quatro de estudo e outras quatro de deslocamento. Isso é mais do que os operários no século XIX.”
A Tarsila já sabia disso faz tempo [O Caraíba]

O presidente do Ipea foi um dos palestrantes na abertura da terceira edição do Seminário Sociologia & Política, ao lado da professora Celi Scalon (UFRJ), no Teatro da Reitoria da UFPR. “Repensando Desigualdades em Novos Contextos” é o tema geral do seminário. Promovido pelos programas de pós-graduação em Sociologia e em Ciência Política da instituição, o evento termina nesta quarta-feira (28).