terça-feira, 6 de setembro de 2011

Projeto do Senador Álvaro Dias libera contratação de professores universitários sem pós

Foi publicado e repercutido pela blogosfera, hoje, uma crítica ao projeto de lei do Senador Álvaro Dias que quer "flexibilizar" a contratação de professores para ensino superior.

Este diletante e preguiçoso, porém bem-informado blogueiro já sabia disso há alguns meses, pois, por ser professor universitário, tem o enorme privilégio de receber uma centena de emails de editoras e afins.


Num desses noticiosos emails, cujo apelo é o de "jornal do professor" eis que vinha a notícia, por sua vez, copiada de uma repostagem do Estadão, que segue neste link.

Ora, pensou este caraíba, será que o "jornal do professor" pensa que o "professor" é besta???





Veja abaixo a matéria:

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De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), pelo menos um terço do corpo docente das instituições de ensino superior deve ter mestrado ou doutorado. Mas essa situação pode mudar se um projeto de lei em tramitação no Senado for aprovado. O projeto autoriza instituições a contratar qualquer pessoa com nível superior a dar aulas em caráter temporário, podendo ter contrato renovado indefinidamente. O senador Álvaro Dias (PSDB – PR), que integra a Comissão de Educação, Cultura e Esporte, é relator do projeto e afirma que “é preciso flexibilizar”. A vice-presidente acadêmica da Anhanguera Educacional, Ana Maria Sousa, concorda: “Um profissional com experiência tem muito a ensinar, mesmo que não tenha pós-graduação.” O diretor jurídico do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp), José Roberto Covac, também é favorável e lembra que existem áreas carentes de profissionais titulados, como Petróleo e Moda. Já o reitor do centro universitário FEI, Fábio do Prado, diz que nunca teve problemas para encontrar professores qualificados. O vice-diretor da Politécnica da USP, José Roberto Piqueira, concorda e afirma que algumas instituições que reclamam da escassez de mão de obra oferecem más condições de empregabilidade. Além disso, Piqueira lembra que muitas empresas oferecem programas de mestrado e questiona: “Se a indústria acha importante, a universidade não vai achar?” O Secretário da Educação Superior do MEC, Luiz Cláudio Costa, também desaprova o projeto e afirma que se a proposta passar na votação que acontece em 12 de julho, vai usar de estratégias para desestimular a contratação de profissionais sem pós-graduação. “Não poderemos impedir quem não tem pós, mas poderemos valorizar os titulados.”

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Cá estou eu de volta.
Perceberam como o texto tenta convencer o "professor" de que essa flexibilização é "uma nice"?! 

Notaram que quem defende a "flexibilização" são entidades representantes dos mantenedores???

Foto do tipo de professor que defende a flexibilização
Será que o jornal não deveria levar o título de "jornal do mantenedor"??

Será que a editora que enviou-me isso pensa que os professores são também mantenedores???

Engraçado. . . não vi sequer uma opinião de um professor num "jornal do professor". 

Ah!, cara-pálida! Lamentável! 

E nem preciso fazer menção ao autor do projeto. 

Este "Senador" que está no mundo a passeio. É assim que vamos melhorar a qualidade do ensino!

Deixo-vos agora com a notícia que foi veiculada pela Carta Capital e repercutida na blogosfera, de onde a tirei. Espero que vocês assinem a petição.

E lembrem-se, alunos, a queda de qualidade do corpo docente não vai se refletir em queda dos preços das mensalidades. . .

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Oficialmente, a livre docência no ensino superior do Brasil só pode ser exercida por mestres e doutores, de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) vigente. No entanto, um projeto de lei do Senado, que tem Alvaro Dias (PSDB-PR) como relator, pretende dispensar a necessidade de pós-graduação em instituições superiores.
O projeto do senador tucano, de número 220/2010, foi aprovado à francesa na Comissão da Educação do Senado em junho último e deve ser discutido em sessão da Casa nas próximas semanas. Uma vez aprovado, qualquer pessoa com nível superior poderá dar aula em qualquer universidade do país.
No sistema atual, há muitos casos em que a instituição superior tem professores ainda sem mestrado dando aulas. Mas estes casos se enquadram em uma concessão do MEC (Ministério da Educação) até que a instituição se organize para ter profissionais gabaritados, com prazo definido.
A ideia dos idealizadores do projeto 222/2010 é democratizar o ensino superior, com mais gente dando aula em mais faculdades. No entanto, a possível mudança gera preocupação nos meios acadêmicos. A Federação dos Professores do Estado de São Paulo divulgou nota declarando considerar um retrocesso a mudança: “Os empresários do ensino privado, que nunca dormem no ponto, viram na proposta uma grande oportunidade para flexibilizar as regras de contratação em todos os cursos da rede privada. Para tanto, tiveram o apoio do senador Alvaro Dias, relator da proposta na Comissão de Educação. Generoso, o parlamentar manteve a possibilidade de contratar graduados, suprimiu a ‘relevante experiência profissional’ e ainda estendeu a flexibilização para todos os cursos”.
O professor José Roberto Castilho Piqueira, da Escola Politécnica da USP, é incisivamente contrário à proposta do senador tucano. “Muitas vezes algumas universidades particulares mandam o professor embora quando ele faz o mestrado ou o doutorado, porque tem que pagar salários maiores para ele. O espírito desta emenda, na minha opinião, é o ‘tá liberado’. Posso contratar qualquer pessoa com qualquer nível de graduação, mesmo com formação parca, para aumentar meus lucros”, afirma.
Castilho Piqueira também enxerga a possível mudança como anti-democrática. “Existe uma demanda muito forte para os cursos de Engenharia e Tecnologia para as próximas décadas no Brasil. O Estado investe muito dinheiro na qualificação de profissionais através do Capes, Faperj, Unifesp e outras. E, no entanto, quando você permite essa mudança, faz com que os mestres e doutores formados com dinheiro público não devolvam esse conhecimento à sociedade. É um desperdício. Os que querem a mudança vestem uma fantasia de liberais e nos pintam como autoritários, como quem diz que esses caras acham que só título que interessa e nós sabemos reconhecer o trabalho prático. Na prática, isso é balela”, complementa Piqueira.
Já existe uma petição online para pressionar o Senado a votar contra a o projeto de lei 222/10. Para acessá-la, clique aqui.

Um comentário:

  1. Óbvio meu caro. Não sabes das fortes ligações do ilustre senador com a "Cesumar" Um centro superior de ensino, com fins lucrativos, cujo testa de ferro wilson matos é o suplente do senador? Ao que se sabe a contratação de mestres e doutores sai muito caro para os cofres da instituição (?).

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