sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Barretos está se tornando uma marca indesejável

Não, não há crueldade nesse "esporte"
Reproduzido do ANDA

Dedicado à minha aluna Priscila do Carmo. Sua preocupação e indignação com o tema a faz desenvolver um interessante TCC sobre a relação entre os indicadores de Responsabilidade Social Empresarial e os direitos dos animais.

Segue post.

por Guilherme Armando Contrucci

Sou professor titular da Escola Nacional de Seguros (Funenseg), do Senac SP e de duas grandes universidades em São Paulo e no Rio de Janeiro, além de ter um programa de televisão na UOL, e também participo do Conselho Deliberativo do Clube Ipê de São Paulo, Greenpeace e sou também palestrante empresarial.

Há muito tempo percebe-se que aversão aos rodeios no Brasil cresce muito mais rápido que os admiradores do evento, mesmo levando-se em consideração o crescimento orgânico desses espetáculos e sua exposição na mídia em geral.

Mas, ao contrário do que se prega na publicidade e no marketing comercial do produto, a imagem da marca está cada vez mais se consolidando como “lugar onde se reúnem pessoas alegres, celebridades de baixo nível (as garotas e garotos de programa da televisão) e apologistas da tortura animal”. Este dado não é minha opinião pessoal.

Em recente pesquisa feita com cerca de 450 alunos das classes B, C e D moradores na grande São Paulo, idades variando de 20 a 34 anos, trabalhadores da indústria formal, identificou-se que a marca Barretos é sinônimo de diversão e crueldade animal.

Dos 450 entrevistados, cerca de 83% responderam que participariam dos eventos se não houvesse o show dos peões e animais, 55% responderam que as cidades promovem rodeios por questões financeiras e não culturais.

Na pesquisa , Barretos foi considerada uma cidade sem “estímulo para visitação” por conta da crueldade contra os animais.
Alguns artistas que participaram dos eventos no passado, tendo em vista o comprometimento de suas imagens com o espetáculo cruel contra os animais, não aceitaram mais participar dos mesmos. Os nomes desses artistas não serão divulgados aqui, mas há dois casos notórios que tornaram-se cases de marketing, e encontram-se nas páginas pessoais desses cantores.

Num deles, a artista pediu desculpas num show que realizou em 2010, para cerca de 10.000 fãs, por ter participado e cantado num evento de rodeio.

Outro dado importante refere-se à campanha que dois clubes esportivos estão promovendo em São Paulo capital, desde 2009, para proibir a entrada de marcas que patrocinam os rodeios. Um dos clubes tem meu nome no conselho deliberativo, e aprovou semana passada uma proposta para o concessionário de alimentação barrar as bebidas dessa marca que patrocina o rodeio de Barretos.

Nas aulas e palestras em universidades que tenho a oportunidade de participar o tema “proteção animal” já é recorrente nos trabalhos de conclusão de curso e monografias. A Uninove apresentou no ano passado um seminário sobre touradas, cultura e conflitos sociais, e o tema rodeio foi amplamente debatido, cuja conclusão final foi a aversão por tais espetáculos. Espero ter contribuido de alguma forma.
 
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Pitaco d'O Caraíba

Enquanto isso, na Província de Guarulhos, o nobilíssimo vereador Wagner Freitas, admirador e apadrinhado do Maluf, insiste em sua grande obra para a cidade: trazer rodeios para cá.

É de uma visão estratégica espantosa, não?!

Um comentário:

  1. Acho o rodeio um "esporte" (se é que pode ser considerado assim) totalmente desnecessário. Agora, o que mais me dá nojo dessas festas é a boçalidade do público alvo. Barretos se tornou um lugar ridículo, antro de sub-celebridades acéfalas. Tomara Deus que isso não venha pra Guarulhos, ou terei que achar um lugar melhor pra viver. Como se já não bastassem os babacas aqui da Vila Madalena Guarulhense, vulgo Parque Cecap.

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