quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Suportar a verdade

Por Vladimir Safatle, em Folha de S. Paulo, via Vermelho
 
Pressionado pela Corte Interamericana de Justiça, que denunciou a situação aberrante do Brasil quanto à elucidação e punição dos crimes de tortura, sequestro, assassinato, estupro e ocultação de cadáveres perpetrados pelo Estado ilegal que vigorou durante a ditadura militar, o governo brasileiro precisava mostrar que fizera algo.

No caso, "algo" significa uma Comissão da Verdade aprovada a toque de caixa, sem autonomia orçamentária, sem poder de julgar, com apenas sete membros que devem trabalhar por dois anos, sendo que comissões similares chegam a ter 200 pessoas.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O Medo e os muros

Coloco aqui um interessantíssimo video que me foi passado por um amigo - Edivaldo Rocha.

E, aproveitando o ensejo, reproduzo abaixo um post publicado no Escrevinhador, sobre um caso presente da mesma lógica perversa de que o video trata.
Nem precisa de pitacos!


Segue post:

Não sabe como resolver um conflito? Construa um muro!
Por Raquel Rolnik, em seu blog

Quando não se sabe como resolver um problema, como enfrentar um conflito, uma questão complexa, constrói-se um muro. Recentemente, vimos anunciada na imprensa a intenção do governo do Estado de São Paulo de construir um muro de 2m de altura ao longo do rio Paraitinga. O objetivo da medida, segundo o governo, é conter as enchentes que, anos atrás, já destruíram parte da cidade de São Luiz do Paraitinga e de seu patrimônio.

A questão complexa, neste caso, é: como proteger a cidade e seu patrimônio da força das águas, ao mesmo tempo respeitando as suas características construtivas, das quais também faz parte a relação histórica de São Luiz do Paraitinga com o rio? Construir um muro para isolar o rio da cidade, neste caso, significa uma falta de solução porque não enfrenta a complexidade da questão ao destruir a relação da cidade com o rio.
Muro construído por Israel


Há muitos outros exemplos que mostram como os muros são, na verdade, formas típicas de não resolução de conflitos. O muro que separa a fronteira dos EUA com o México, para evitar que os latino-americanos entrem ilegalmente nos EUA, ou o muro que Israel vem construindo na Cisjordânia desde 2002 para evitar que os palestinos circulem nesse território, são alguns exemplos. Os dois casos envolvem questões com implicações em termos étnicos, políticos e sociais. O fato é que, em vez de se trabalhar a questão e de se buscar soluções para ela, constrói-se um muro.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Barretos está se tornando uma marca indesejável

Não, não há crueldade nesse "esporte"
Reproduzido do ANDA

Dedicado à minha aluna Priscila do Carmo. Sua preocupação e indignação com o tema a faz desenvolver um interessante TCC sobre a relação entre os indicadores de Responsabilidade Social Empresarial e os direitos dos animais.

Segue post.

por Guilherme Armando Contrucci

Sou professor titular da Escola Nacional de Seguros (Funenseg), do Senac SP e de duas grandes universidades em São Paulo e no Rio de Janeiro, além de ter um programa de televisão na UOL, e também participo do Conselho Deliberativo do Clube Ipê de São Paulo, Greenpeace e sou também palestrante empresarial.

Há muito tempo percebe-se que aversão aos rodeios no Brasil cresce muito mais rápido que os admiradores do evento, mesmo levando-se em consideração o crescimento orgânico desses espetáculos e sua exposição na mídia em geral.

Mas, ao contrário do que se prega na publicidade e no marketing comercial do produto, a imagem da marca está cada vez mais se consolidando como “lugar onde se reúnem pessoas alegres, celebridades de baixo nível (as garotas e garotos de programa da televisão) e apologistas da tortura animal”. Este dado não é minha opinião pessoal.

Em recente pesquisa feita com cerca de 450 alunos das classes B, C e D moradores na grande São Paulo, idades variando de 20 a 34 anos, trabalhadores da indústria formal, identificou-se que a marca Barretos é sinônimo de diversão e crueldade animal.

Dos 450 entrevistados, cerca de 83% responderam que participariam dos eventos se não houvesse o show dos peões e animais, 55% responderam que as cidades promovem rodeios por questões financeiras e não culturais.

Na pesquisa , Barretos foi considerada uma cidade sem “estímulo para visitação” por conta da crueldade contra os animais.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Papagaios e a voz própria

Dedicado aos papagaios, que acham que têm voz própria.


Charge encontrada no Escrevinhador.
Algo semelhante a isso já disse este diletante e repetitivo blogueiro algumas vezes.

Os curiosos podem comprová-lo aqui, aqui ou aqui, até onde alcança a baleada e carcomida memória deste calvo preguiçoso.

Mas há ainda muito a dizer. 

Aqui, cabem algumas palavras sobre o que Hannah Arendt chamou de "pathos do novo", que em tradução livre significa algo como a necessidade de novidades que nos acomete incessantemente.

Já repararam como é comum perguntarmos a alguém, quando o cumprimentamos: "- Quais são as novas?", ou algo que o valha???


Pois é. . . a linguagem torna comum e automático um comportamento que reflete muito o nosso Zeitgeist

É como se estivéssemos fadados a sempre ter algo de novo, para suprirmos, assim, as expectativas de um mundo que avança inexoravelmente rumo ao progresso.

É imperdoável não ter a última versão dos tablets da "épou", mesmo que eles não tenham uma mudança significativa em relação à anterior. Muito menos uma mudança significativa e útil.

E é também curioso como o discurso da utilidade, tão em voga, cai por terra assim tão fácil. . .

Mas não vou falar disso, pois além de diletante, preguiçoso e dotado de memória de peixe, este que vos escreve tem uma incurável tendência à digressão. 

Mal de quem leu Salinger. . . 

Enfim. . .

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Os pobres e os pobres, cegos e surdos

Instrutiva comparação feita pela The Economist, publicada no Tijolaço.

Ótimo para aqueles que, por declaração ideológica e torta de princípios, desqualifica qualquer política de ação afirmativa.

Segue o post. O gráfico é excelente.


Nos dias atrás, a revista inglesa The Economist, mostrando com que país cada estado brasileiro, tomado isoladamente, se parecia em matéria de Produto Interno Bruto, renda per capita e população. O resultado, escandaloso, você pode ver clicando no mapa.

Será que diante de contrastes tão gritantes, as nossas elites continuaram achando que este país pode ir em frente sem corrigir o que já não é nem mesmo um desequilíbrio, mas um ato, literalmente, de desamor ao próximo?



Sim, porque há gente que continua achando que o “zé povinho” das regiões atrasadas deste país pode continuar lá, largado, abandonado, sem que isto inviabilize a existência dos próprios centros desenvolvidos do Brasil?

Volta e meia, porém, este sentimento mesquinho e, sobretudo, burro, aflora nas páginas dos nossos jornais.

Outro dia mesmo, a Folha de S. Paulo tratou o fato de a economia nordestina estar crescendo a taxas superiores à média nacional como se isso fosse um simples arranjo político eleitoral do atual governo. Ora, se o Nordeste não crescer mais do que a média, como é que a desigualdade vai diminuir?

E é pouca, ainda, a vantagem que o Nordeste está tendo em relação às outras regiões. Publiquei, outro dia, o cálculo do IPEA de que, mesmo no ritmo atual, a renda média do nordestino só chegará a ser 75% da renda dos habitantes do sudeste no longínquo ano de 2074.

É uma cruel tradução estatística dos versos de João Cabral de Mello Neto, em Morte e Vida Severina, de que a cova é a “terra mais ancha que terás no mundo”.

Pobre gente. Muito mais pobre do que aqueles lá, que sofrem com o atraso e a pobreza. Pobre, porque perdeu a virtude humana do amor.

Pobre e cega, porque não vê que deixar milhões de seres humanos, ali, do seu lado, se degradarem na miséria é, sem nenhuma dúvida, condenarem a si mesmos a viver em um mundo selvagem.

Pobres, cegos e surdos. Porque nem mesmo conseguiu entender a lição poética de Antônio Carlos Jobim, de que é impossível ser feliz sozinho.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Trevas nas próximas eleições dos EUA - e seu possível e provável rescaldo no Brasil

Texto publicado no Escrevinhador, com um pitaco meu.

Vejam o que é fazer terrorismo!
A eleição de Obama – como todos sabem – foi uma reação aos terríveis anos Bush. Reação tênue. No dia mesmo que ele foi eleito, escrevi aqui que a direita nos Estados Unidos tinha sofrido uma derrota política, mas que numericamente seguia fortíssima. Depois da catástrofe dos anos Bush, os republicanos conseguiram mais de 45% dos votos totais em 2008: “o conservadorismo republicano está mais vivo que nunca. Vai se reagrupar. A direita religiosa, os intervencionistas, os imperialistas, os racistas, a horda de bárbaros que levou Bush ao poder segue firme. Despreza o que o mundo possa pensar, desconfia dos negros, dos latinos, e vai partir pra cima de Obama assim que se passarem os cem dias tradicionais de trégua no início de governo.” (foi o que escrevi em 2008).
Passada a eleição, Obama consumiu capital político para aprovar a reforma de Saúde, e nas outras áreas avançou muito pouco. Na verdade, o aparelho de Estado nos EUA parece dominado por uma sinistra aliança de interesses militares/financeiros/petroleiros (aqui no Brasil, acontece algo parecido – tal o consenso financista que domina o país; só agora, Dilma parece chacoalhar esse consenso, com a estratégia para baixar juros e reduzir o poderio dos rentistas que vivem dos títulos públicos).
No poder, Obama foi acuado pela direita, que cresce sob patrocínio do Tea Party – movimento que no Brasil Serra tentou mimetizar na eleição do ano passado, com o debate sinistro e falso (até porque - sejamos honestos – Serra não é de extrema direita, e nem é um homem religioso) que envolveu aborto e Igrejas de todos os tipos.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Alckmin mandará embora arapongas de Serra?

Do Tijolaço

Alckmin mandará embora arapongas de Serra?

Em mais um sinal de que as bicadas tucanas andam fortes em São Paulo, há notícias de que Governador Geraldo Alckmin anulará o contrato do Prodesp – a empresa estadual de processamento de dados – com empresa Fence, do coronel da reserva Ênio Gomes Fontenelle, contratada por Serra em 2008, sem licitação, depois de ter servido ao “coiso” no Ministério da Saúde.

A Fence ficou conhecida pelas suposições de envolvimento da espionagem que resultou na ação da Polícia federal contra Jorge Murad, marido de Roseana Sarney, que teve de abandonar sua candidatura, levando o PFL – hoje DEM – a apoiar Serra à presidência em 2002.

O site Poder Online, do IG, levantou há dias a possibilidade de continuar existindo um sistema de escutas clandestinas ligadas ao serrismo e ao prefeito Gilberto Kassab:

“Os próximos rounds da luta declarada pelo prefeito Gilberto Kassab a seus adversários promete momentos de revelações e deve ocorrer, na avaliação de políticos paulistas, na campanha eleitoral do ano que vem.

De acordo com testemunhas do primeiro destempero público do prefeito Gilberto Kassab, revelado por Poder Online e ocorrido no dia 23 de maio, nas Faculdades Metropolitanas Unidas, durante palestra sobre bullying, ele travou o seguinte diálogo com o deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP):

- Eu vou quebrar o seu pescoço, o do [Geraldo] Alckmin, do Alexandre [Moraes] e o do Rodrigo [Garcia].

- O que é isso Kassab ? – teria dito Chalita, surpreso com a agressividade do prefeito.

- Tá tudo grampeado – respondeu Kassab.

- Grampeado o quê? Você está me ameaçando? – devolveu o deputado.

Dali pra frente foi Kassab acusando Chalita de fazer e acontecer contra ele e Chalita dizendo que nunca tinha feito nada. Aí o ministro Marco Aurélio Mello, do STF, que mediaria o debate sobre bullying, chamou os dois para começar o evento.

E mais.

No diálogo, se é que a definição seja esta, de quarta-feira, no gabinete do secretário de Desenvolvimento Social, Rodrigo Garcia, Kassab ameaçou:

- Eu sei seus podres.

E ouviu:

- Se eu tenho podres foram feitos ao seu lado.

Muita gente ouviu também. Chalita e Rodrigo Garcia preferiram não comentar os fatos. Alckmin também, de acordo com sua assessoria, calou-se.”

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Pitaco d'O Caraíba: eu quero é ver pena voando! 
 
Cadê o PiG pra exercer a liberdade de imprensa que tanto defende???

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Ruralista foge de debate na TV

Integrante da CNA abandonou gravação de programa da TV Justiça depois de exibição do documentário “O veneno está na mesa”, de Silvio Tendler

Por Maria Mello, no Brasil de Fato, via VioMundo, com os meus pitacos usuais

Um episódio estarrecedor marcado pela falta de respeito à democracia e ao livre debate de ideias provou, mais uma vez, que os ruralistas não têm como defender o indefensável.

Na tarde desta terça-feira (06), um dos representantes da Campanha contra os Agrotóxicos e Pela Vida no Distrito Federal e integrante do SINPAF, Vinícius Freitas, participaria da gravação do programa “Meio ambiente por inteiro”, da TV Justiça, em Brasília, para debater o problema do aumento do uso dos agrotóxicos no Brasil. Além de Freitas, a produção do programa convidou também o integrante da Confederação da Agricultura e Pecuária no Brasil (CNA) José Mário Schereiner para expor a visão da entidade em relação ao tema.

Após serem recebidos pela equipe do programa, os debatedores foram informados da linha de condução das perguntas. No roteiro da entrevistadora, a primeira pergunta seria direcionada ao ruralista e afirmava ser utópica a possibilidade de acabar com o uso de agrotóxicos no país.

No início da gravação, a jornalista apresentou os participantes e chamou o VT de um trecho do documentário “O veneno está na mesa” [disponível aqui - O Caraíba], recém-lançado pelo cineasta Silvio Tendler e que ganhou repercussão nacional, que serviria como pontapé inicial para o debate.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Projeto do Senador Álvaro Dias libera contratação de professores universitários sem pós

Foi publicado e repercutido pela blogosfera, hoje, uma crítica ao projeto de lei do Senador Álvaro Dias que quer "flexibilizar" a contratação de professores para ensino superior.

Este diletante e preguiçoso, porém bem-informado blogueiro já sabia disso há alguns meses, pois, por ser professor universitário, tem o enorme privilégio de receber uma centena de emails de editoras e afins.


Num desses noticiosos emails, cujo apelo é o de "jornal do professor" eis que vinha a notícia, por sua vez, copiada de uma repostagem do Estadão, que segue neste link.

Ora, pensou este caraíba, será que o "jornal do professor" pensa que o "professor" é besta???





Veja abaixo a matéria: