terça-feira, 16 de agosto de 2011

Wagner Freitas se lança candidato e tem Maluf como cabo eleitoral

Estava hoje este diletante e preguiçoso Caraíba a folhear o Diário de Guarulhos, este que, como costumo dizer, tem menos conteúdo do que a página inicial do Google - leia aqui a respeito -, quando me deparo com uma manchete inesperada: "Quero fazer grandes obras, diz Freitas", ela dizia. 

E eu, com minha curiosidade que só não ganha da minha preguiça (por pouco, diga-se), meti-me a ler. 

Trata-se de um documento para a posteridade.

O leitor típico que os jornais de guarulhos pressupõem.
Um exemplo do mais puro jornalismo provinciano guarulhense.

Ou a coitada que assinou a matéria é a estagiária que, num acesso de piriri de seu chefe, foi de última hora incumbida de entrevistar o vereador, ou temos mesmo um flagrante caso de incapacidade crítica.

Para quem não conhece a figura que protagoniza a entrevista, trata-se de um parlamentar cuja maior contribuição para a cidade é o silêncio e a segunda, e última, um figurino inconfundível. 

Já publiquei aqui um email que enviei ao senhor em questão e que foi, como se espera de uma pessoa com tal visão apurada de mundo, sumariamente ignorado. Leiam aqui o email enviado.

O silêncio dele diz muito. . .


Talvez seja ele a expressão do respeito ao eleitorado a quem ele afirma servir. 

Pois bem. . . 

À parte isso, vamos à entrevista.

A genialidade começa com o subtítulo, que pressupõe que o leitor é um imbecil: "O pré-candidato ao Paço Municipal pretende adotar modelo de gestão de Maluf"

O que vocês acham disso, leitores????

Adotar o modelo de gestão de um sujeito que virou sinônimo do que há de mais corrupto, machista e retrógrado no Brasil. 

Alguém cujo "modelo de gestão" o fez procurado pela Interpol?????

Mas, poderíamos transigir, talvez o inocente vereador tivesse caído numa dessas capciosas perguntas que jornalistas de verdade sabem fazer.

Só que isso não é verdade. E por duas razões. 

A primeira: em Guarulhos não temos jornalistas de verdade. Os que ousam sê-lo, acabam demitidos, como o caso aqui publicado mostra suficientemente.

A segunda: é o próprio vereador que se vangloria de sua relação com Maluf. "A marca do meu governo será a de Paulo Maluf, o governo das grandes obras."

Como é, cara-pálida????

"Grandes obras"????

Engraçado que "malufar" virou um verbo comum, que não está associado à construção, mas ao roubo.

Ou ao modelo "estupra, mas não mata". 

Se a jornalista fosse minimamente capaz, teria encurralado o vereador com uma dessas questões. 

Mas não o fez. Não cumpriu o papel que se espera de uma imprensa livre. E, ao fazer isso, endossa minha tese: a liberdade de imprensa na Província dos Guarus se perverteu e virou seu avesso.

Cachorro fazendo uma "grande obra" no jornal de Guarulhos


Não há, numa entrevista que inutiliza uma página inteira. Utilidade, só para forrar gaiolas e afins.

Nessa entrevista toda, nem há menção ao termo corrupção, que é quase o nome do meio do Maluf.

E ao qual o vereador do chapelão tem orgulho de se associar. 

Assim vamos nós rumo ao inexorável progresso.




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