terça-feira, 28 de junho de 2011

O que você não leu na mídia sobre Paulo Renato (1945-2011)

Reproduzo, aqui, artigo de Idelber Avelar, no Outro Olhar da Revista Forum.

Morreu de infarto, no último dia 25, aos 65 anos, Paulo Renato Souza, fundador do PSDB. Paulo Renato foi Ministro da Educação no governo FHC, Deputado Federal pelo PSDB paulista, Secretário da Educação de São Paulo no governo José Serra e lobista de grupos privados. Exerceu outras atividades menos noticiadas pela mídia brasileira.
Nas hagiografias de Paulo Renato publicadas nos últimos dois dias, faltaram alguns detalhes. A Folha de São Paulo escalou Eliane Cantanhêde para dizer que Paulo Renato deixou um “legado e tanto” como Ministro da Educação. Esqueceu-se de dizer que esse “legado” incluiu o maior êxodo de pesquisadores da história do Brasil, nem uma única universidade ou escola técnica federal criada, nem um único aumento salarial para professores, congelamento do valor e redução do número de bolsas de pesquisa, uma onda de massivas aposentadorias precoces (causadas por medidas que retiravam direitos adquiridos dos docentes), a proliferação do “professor substituto” com salário de R$400,00 e um sucateamento que impôs às universidades federais penúria que lhes impedia até mesmo de pagar contas de luz. No blog de Cynthia Semíramis, é possível ler depoimentos às dezenas sobre o que era a universidade brasileira nos anos 90.
Ainda na Folha de São Paulo, Gilberto Dimenstein lamentou que o tucanato não tenha seguido a sugestão de Paulo Renato Souza de “lançar uma campanha publicitária falando dos programas de complementação de renda”. Dimenstein pareceu desconsolado com o fato de que “o PSDB perdeu a chance de garantir uma marca social”, atribuindo essa ausência a uma mera falha na campanha publicitária. O leitor talvez possa compreender melhor o lamento de Dimenstein ao saber que a sua Associação Cidade Escola Aprendiz recebeu de São Paulo a bagatela de três milhões, setecentos e vinte e cinco mil, duzentos e vinte e dois reais e setenta e quatro centavos, só no período 2006-2008.
Não surpreende que a Folha seja tão generosa com Paulo Renato. Gentileza gera gentileza, como dizemos na internet. A diferença é que a gentileza de Paulo Renato com o Grupo Folha foi sempre feita com dinheiro público. Numa canetada sem licitação, no dia 08 de junho de 2010, a FDE da Secretaria de Educação de São Paulo transfere para os cofres da Empresa Folha da Manhã S.A. a bagatela de R$ 2.581.280,00, referentes a assinaturas da Folha para escolas paulistas. Quatro anos antes, em 2006, a empresa Folha da Manhã havia doado a curiosa quantia–nas imortais palavras do Senhor Cloaca–de R$ 42.354,30 à campanha eleitoral de Paulo Renato. Foi a única doação feita pelo grupo Folha naquela eleição. Gentileza gera gentileza.
Mas que não se acuse Paulo Renato de parcialidade em favor do Grupo Folha. Os grupos Abril, Estado e Globo também receberam seus quinhões, sempre com dinheiro público. Numa única canetada do dia 28 de maio de 2010, a empresa S/A Estado de São Paulo recebeu dos cofres públicos paulistas–sempre sem licitação, claro, porque “sigilo” no fiofó dos outros é refresco–a módica quantia de R$ 2.568.800,00, referente a assinaturas do Estadão para escolas paulistas. No dia 11 de junho de 2010, a Editora Globo S.A. recebe sua parte no bolo, R$ 1.202.968,00, destinadas a pagar assinaturas da Revista Época. No caso do grupo Abril, a matemática é mais complicada. São 5.200 assinaturas da Revista Veja no dia 29 de maio de 2010, totalizando a módica quantia de R$1.202.968,00, logo depois acrescida, no dia 02 de abril, da bagatela de R$ 3.177.400, 00, por Guias do Estudante – Atualidades, material de preparação para o Vestibular de qualidade, digamos, duvidosíssima. O caso de amor entre Paulo Renato e o Grupo de Civita é uma longa história. De 2004 a 2010, a Fundação para o Desenvolvimento da Educação de São Paulo transfere dos cofres públicos para a mídia pelo menos duzentos e cinquenta milhões de reais, boa parte depois da entrada de Paulo Renato na Secretaria de Educação.
Mas que não se acuse Paulo Renato de parcialidade em favor dos grandes grupos de mídia brasileiros. Ele também atuou diligentemente em favor de grupos estrangeiros, muito especialmente a Fundação Santillana, pertencente ao Grupo Prisa, dono do jornal espanhol El País. Trata-se de um jornal que, como sabemos, está disponível para leitura na internet. Isso não impediu que a Secretaria de Educação de São Paulo, sob Paulo Renato, no dia 28 de abril de 2010, transferisse mais dinheiro dos cofres públicos para o Grupo Prisa, referente a assinaturas do El País. O fato já seria curioso por si só, tratando-se de um jornal disponível gratuitamente na internet. Fica mais curioso ainda quando constatamos que o responsável pela compra, Paulo Renato, era Conselheiro Consultivo da própria Fundação Santillana! E as coincidências não param aí. Além de lobista da Santillana, Paulo Renato trabalhou, através de seu escritório PRS Consultores – cujo site misteriosamente desapareceu da internet depois de revelações dos blogs NaMaria News eCloaca News–, prestando serviços ao … Grupo Santillana!, inclusive com curiosíssima vizinhança, no mesmo prédio. De fato, gentileza gera gentileza. E coincidência gera coincidência: ao mesmo tempo em que El País “denunciava”, junto com grupos de mídia brasileiros, supostos “erros” ou “doutrinações” nos livros didáticos da sua concorrente Geração Editorial, uma das poucas ainda em mãos do capital nacional, Paulo Renato repetia as “denúncias” no Congresso. O fato de a Santillana controlar a Editora Moderna e Paulo Renato ser consultor pago pelo Grupo Santillana deve ter sido, evidentemente, uma mera coincidência.
Mas que não se acuse Paulo Renato de parcialidade em favor dos grupos de mídia, brasileiros e estrangeiros. O ex-Ministro também teve destacada atuação na defesa dos interesses de cursinhos pré-vestibular, conglomerados editoriais e empresas de software. Como noticiado na época pelo Cloaca News, no mesmo dia em que a FDE e a Secretaria de Educação de São Paulo dispensaram de licitação uma compra de mais R$10 milhões da InfoEducacional, mais uma inexigibilidade licitatória era anunciada, para comprar … o mesmíssimo produto!, no caso o software “Tell me more pro”, do Colégio Bandeirantes, cujas doações em dinheiro irrigaram, em 2006, a campanha para Deputado Federal do candidato … Paulo Renato! Tudo isso para não falar, claro, do parque temático de $100 milhões de reais da Microsoft em São Paulo, feito sob os auspícios de Paulo Renato, ou a compra sem licitação, pelo Ministério da Educação de Paulo Renato, em 2001, de 233.000 cópias do sistema operacional Windows. Um dos advogados da Microsoft no Brasil era Marco Antonio Costa Souza, irmão de … Paulo Renato! A tramóia foi tão cabeluda que até a Abril noticiou.
Pelo menos uma vez, portanto, a Revista Fórum terá que concordar com Eliane Cantanhêde. Foi um “legado e tanto”. Que o digam os grupos Folha, Abril, Santillana, Globo, Estado e Microsoft.

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Nota d'O Caraíba: Já vai tarde!

sábado, 25 de junho de 2011

Flashback - O Desejo Secreto de Bolsonaro

Visto que estamos em época de manifestação do orgulho gay, reproduzo aqui um post dedicado ao Excelentíssimo Deputado Bolsonaro, que publiquei um tempo atrás.

Don't mix races: assustador!

Reproduzo aqui um post da Maria Frô que é chocante.

Não tenho muitas outras informações sobre o video além das que a Maria Frô nos traz.

Mas a existência disso, com esse discurso tão equivocado quanto preconceituoso, é por si só complicada. . .

quinta-feira, 23 de junho de 2011

quinta-feira, 16 de junho de 2011

O maior comédia dos últimos tempos

Há uma radical diferença quando mudamos o termo "comédia" de gênero: a comédia é toda obra que usa de recursos satíricos e cômicos para alcançar seus fins estéticos. Vale ainda dizer que é uma das mais eficazes formas de promover a Κάθαρσις (detalhes suficientes para o caso, aqui), segundo Aristóteles. 

Mas para produzir tal efeito, a comédia tem de ser boa. Não servem as "sacadas" pontuais que têm alguns, por assim dizer, comediantes. Nem as inferências óbvias e repetitivas, tipo Zorra Total ou CQC, que servem bem aos QI's de um dígito. A comédia de verdade, é muito mais do que isso.

Enfim. . . quando mudamos o gênero de feminino para masculino, ou seja, quando tiramos de cena a comédia, em seu lugar temos o comédia, que, na linguagem popular, se refere com frequência a qualquer otário, tonto, babaca. . . um típico comédia. 

Eventualmente, o termo é aplicado àqueles que fazem piadas "sem graça", como é o caso daquelas que troçam a partir de preconceitos vários ou injustiças sociais, como é o caso das tantas que conhecemos sobre a inteligência dos portugueses ou das mulheres, da sexualidade dos japoneses etc. 

Recentemente tivemos as "estrelas" do CQC protagonizando "piadas" feitas a partir de tais preconceitos e estereótipos, como é o caso da infeliz piada sobre os judeus da cidade higiênica, ou sobre a gratidão que deveriam ter as mulheres feias pelos seus violentadores.

Isso mostra a ausência total de limites - o velho simancol - desse pessoal em sua avidez por fama. Qualquer coisa vale para não deixar a oportunidade passar. 

E quando as piadas saem assim, sem graça, forçadas. . . elas se tornam exemplos clássicos de . . . comédias. 
Só que não percebem que são eles mesmos as piadas. 

E é nessa toada que acabo de ver uma notícia no Uol que, acredito, é pura piada: Rafael Cortez (outra "estrela" do CQC) lança CD violonístico. 

Não vou cometer o disparate de avaliar seu trabalho antes de ouvir atentamente - coisa que de fato não pretendo fazer -, mas me permito aqui uma reflexão prévia: 
1. Este CD estaria sendo lançado como carona pelo sucesso que seu autor conquistou no campo do "jornalismo", ou tem valor independentemente disso?
2. Não seria, portanto, um típico caso de "jabá"?!

Assim sendo, permito-me não ouvir o CD. Mesmo porque a "palhinha" que o fulano dá, no video do link acima, já me satisfaz: é um trabalho como os demais de Cortez: medíocre. Não vale o tempo gasto ouvindo.

Sei que o post já está ficando grande demais, mas preciso ainda dizer uma última coisa sobre o comédia em questão, que está nítido em sua entrevista. 

Trata-se da boa e velha "superficialidade profunda", conceito marxiano interessante. . .

Vejam, queridos e enfastiados leitores, que o grande Cortez fez um "improviso" a partir de um diálogo de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. E que é capaz de citar violonistas clássicos como . . . Segóvia. 

Para quem não conhece, Andrés Segóvia é um violonista espanhol realmente brilhante. É como o Pelé no futebol. E é por isso que é completamente inútil dizer que sua referência no mundo do violão é o Segóvia: é chover no molhado. 

Mas eu vejo que isso é um índice de que nosso comédia não está lá tão atualizado no mundo da música como pretende transparecer. Quando as pessoas citam os autores mais óbvios, elas estão, na verdade, dando o velho truque da "superficialidade profunda", que quer dar a entender que o fulano "manja" de tudo, quando na verdade só lê orelhas de livros. 

A mim, não me surpreende. 

Noutro momento continuarei a tratar dessa superficialidade "cult" que arrotam por aí os leitores de Saramago.  Por ora, recomendo o video abaixo, versão do Faith No More de um clássico dos Bee Gees:




O refrão não poderia ser mais apropriado: the joke was on me. Recomendo, inclusive, como "bonus" ao CD do Sr. Cortez.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Do Vermelho

Transparência Seletiva

 


Imperdível texto escrito por Rodrigo Vianna aqui.
Esse escrevinhador teve acesso, ontem, ao mandado de segurança da “Folha” contra Helena Chagas, a responsável pela SECOM (Secretaria de Comunicação do governo federal). O jornal paulista queria detalhes sobre as verbas de publicidade do governo. A SECOM mandou as explicações, mas sem os detalhes requeridos pelo jornal. A “Folha”, então, entrou com o mandado de segurança, em nome da “transparência”. Louvável a preocupação do jornal.
Quem há de ser contra a “transparência”?
O que esse escrevinhador não entende é por que a “Folha” só se preocupa com transparência federal. Transparência estadual, nem pensar. 
Caminhemos, então, para a transparência geral e irrestrita. O contribuinte de São Paulo, por exemplo, merece saber quanto o governo paulista gasta (ou gastou) com assinaturas da “Folha” e do “Estadão”. O contribuinte paulista merece saber porque o Estado contratou os serviços da editora Abril para fornecimento da revista “Nova Escola” – sem licitação. O caso foi denunciado pelo deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP), como se pode ler aqui.
Esse escrevinhador não estranharia se, em breve, outros meios de comunicação entrarem com ação semelhante cobrando explicações sobre os gastos do governo paulista (incluindo a Sabesp, estatal de águas que anuncia até em Pernambuco)  ou do governo mineiro (que teria anunciado de forma generosa numa das rádios que – hoje se sabe – pertence a Aécio Neves). E fariam isso inspirados no louvável ato da “Folha” (que, certamente, não usou o mandado de segurança para pressionar a SECOM, nem para obter mais anúncios do governo federal).
Em nome da transparência no uso de recursos públicos – e mesmo na área privada – seria útil consultar o Ministério Público, o CADE e a CVM, para questionar:
- órgãos de comunicação impressos usam o IVC (que mede a circulação) para montar suas tabelas de anúncios; o IVC é confiável? quem controla o IVC?
- empresas privadas (com ação em Bolsa), que anunciam em jornais e revistas com base em tabelas baseadas no IVC, estão gastando o dinheiro dos acionistas de forma justa?
-  o bônus de veiculação (BV) que certas empresas de comunicação pagam às agências de publicidade (quanto mais dinheiro a agência concentra num determinado meio, mais ela recebe de volta, na forma de BV) não atenta contra as regras de concorrência e de livre mercado?
Ou seja: é o meio de comunicação que remunera a agência! O BV não é um “escândalo” estatal. É um escândalo do mundo privado da publicidade.  
São questionamentos pertinentes: em nome da transparência!
Sem falar num fato absurdo, que ainda hoje garante polpudos recursos aos jornais: a lei obriga empresas de capital aberto a publicar balanços em jornais “de grande circulação”. Pra que? O acionista já recebe relatórios por e-mail, tem acesso ao site da empresa. Alguém acredita que o acionista vai folhear a “Folha”, o “Estadão” ou “Valor” para saber detalhes do balanço de uma empresa em que investe? 
A obrigatoriedade de balanço em jornal é uma forma de transferir recurso do acionista de grandes empresas para as famílias que controlam os jornais. É outro escândalo do mundo privado da publicidade. Um escândalo que mexe com bolso de cada um que tem dinheiro investido em ações.
No mandado de segurança, a “Folha” fala em “injustificável opacidade” de informações. Belíssima expressão! Quem assina a ação é a causídica Taís Gasparian – a mesma que, durante a campanha de 2010, em nome do mesmo jornal, lutou desesperadamente para obter o processo de Dilma no STM. A “Folha” queria saber o que Dilma dissera, sob tortura. Imaginem o uso que isso teria. Faz sentido, afinal a “Folha” é um jornal que abre espaço para o torturador Ustra.
Um jornal, certamente, transparente, em sua história e em suas intenções.  
Desde logo, esse blogueiro soma-se à “Folha” na busca de ”transparência” no mundo da publicidade. Transparência ampla, geral e irrestrita, incluindo BV, balanços de empresas, IVC e – claro – os gastos de publicidade de governos estaduais ricos – como os de Minas e São Paulo.
Viva a transparência total! Abaixo a transparência seletiva!
Leia outros textos de Radar da Mídia

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Nota d'O Caraíba: O mesmo devemos reivindicar para o que se paga por publicidade televisiva.

Participa Brasil

Acabo de receber:
 
Vc gostaria de encher o saco dos políticos? Então agora ficou mais fácil. É só entrar no www.participabrasil.com
Vejam como funciona:
Por exemplo, o assunto em destaque lá é sobre a aprovação ou não do novo código florestal. Quando você se posiciona a favor ou contra o código (e sobre todos os outros temas que entrarem depois), automaticamente você envia um e-mail para todos os deputados e senadores do seu estado. Assim, sem esforço e perda de tempo de sua parte, o sujeito lá em Brasília vai receber um e-mail com seu nome dizendo que você é a favor ou contra aquilo e que ele deve seguir a sua orientação.
Muito mais fácil que ficar xingando no Orkut ou no Twitter, não é?
Então, acessa aí www.participabrasil.com e desça a lenha. A favor ou contra, o importante é encher a caixa de e-mail dos seus representantes para mostrar que você não é somente um voto e sim uma voz!

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Nota d'O Caraíba: Eu tenho tentado fazer isso com os vereadores de Guarulhos, mas eles nunca respondem . . . Esperem só as próximas eleições. . . Eles é que terão uma boa resposta. . .

sexta-feira, 10 de junho de 2011

A solução do governo paulista para o metrô: retirar os assentos

Saiu no UOL, mas bem no cantinho, pra ninguém ler. . .


A Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) está reformando os 98 trens originais das Linhas 1-Azul e 3-Vermelha. Nesse processo, a parte interna das composições é reformulada, com a retirada de assentos, o que amplia a capacidade de passageiros transportados. O investimento total é de R$ 1,75 bilhão.
Segundo a Alstom, uma das empresas que trabalham na reforma dos trens, a capacidade nas composições da Linha 1 vai subir para 2.082 passageiros por trem (com seis vagões), um ganho de 150 vagas. Já na Linha 3 os trens ganharão espaço para mais 126 passageiros, atingindo capacidade de 2.126 vagas.
De acordo com Ramon Fondevila, diretor geral do setor de transporte da Alstom Brasil, como o metrô realiza trajetos mais curtos, o passageiro pode viajar de pé. "Na reforma são implantados sistemas de detecção de fumaça, circuito interno de câmeras, novo sistema para as portas e freio mais moderno, então o conforto é maior", explicou. Já o Metrô afirma que a reforma visa tornar os trens mais acessíveis para portadores de necessidades físicas, como os cadeirantes, o que justifica a retirada dos assentos.
Fondevila afirma que os trens que estão sendo reformados têm de 25 a 30 anos de uso. O processo de reforma leva de cinco a oito meses, dependendo do estado da composição. Apesar da visível melhora na situação dos vagões, o diretor da Alstom lembra que um trem reformado não é igual a um trem novo. "Sempre tem algum desgaste natural de matéria-prima. O trem novo custa mais caro e demora mais para ser entregue. Não existe trem em prateleira, cada cliente opera de uma maneira", explica. Ele diz que é difícil prever a vida útil dos trens reformados, mas eles devem durar pelo menos mais cinco anos.
O processo de reforma dos trens começou em 2009 e deve terminar em 2014. O Metrô só libera um trem para ser reformado quando recebe outro pronto. Após ser entregue, os trens passam por testes dinâmicos nas linhas do Metrô, antes de entrar em operação. O governador Geraldo Alckmin participa hoje da entrega dos dois primeiros trens modernizados do Metrô.

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domingo, 5 de junho de 2011

Vácuo Ideológico

Este humilde e diletante blogueiro já deu seus pitacos em alguns posts sobre o pseudoconteúdo crítico da grande midia, principalmente nas figuras do Reinaldinho Cabeção - personagem do indispensável Tia Carlota e o Zezinho - e da mais perfeita obra-prima da indústria da informação-entretenimento-propaganda, o CQC. 
Notem, leitores, que é indiscutível que as fronteiras que separariam conteúdo opinativo, notícia, entretenimento e "merchan" foram definitivamente rompidas com esse programa. Mais ainda do que com o BBB.

Quer dizer, no caso do BBB, nonca houve a pretensão de informar. Sabe-se de antemão que ali nada se encontrará para além de chulices altamente vendáveis. E não digo isso como se quisesse entrar no coro dos que isentam esse programa de responsabilidade pela propagação de valores questionáveis e pela potencialização de preconceitos mil. 

Mas, se é que dá pra colocar essas coisas numa ordem hierárquica, parece-me que o CQC consegue ser ainda mais perverso do que o BBB. 

E muito disso devido ao fato de que o programa se coloca como a mais nova esperança de esclarecimento político e cidadão ao seu público: os nossos jovens, cultos e sedentos de saber. Isso talvez por contado grande incentivo que temos na sociedade e na educação formal a exercer uma crítica responsável, isenta e não-conformista.

O CQC é apenas a mais nova versão do pseudoesclarecimento que a velha e conhecida Indústria Cultural propala. Ele é um produto elaborado a um nicho de mercado específico: jovens (de todas as idades; o que vale, mesmo, é o intelecto) de classe média (não exatamente no sentidoeconômico; o que vale, novamente, é o intelecto) que estão num certo vácuo ideológico porque não conseguem se desvencilhar de seus próprios preconceitos - políticos, sociais, culturais . . . - e não conseguem elaborar uma crítica consistente àquilo de que discordam e que, no entanto, parece se impor inexoravelmente.

A situação do Brasil mudou, nos últimos anos, tanto política quanto culturalmente, de modo significativo e irrecusável. Para além da apologia ao governo Lula ou algo que o valha, fato é que é visível o incômodo das outrora classes dominantes com a situação presente. 

E é fato que há muitas coisas indiscutivelmente negativas acontecendo. Não tanto quanto as positivas, mas há. E o vácuo se instala aí: não há parâmetros para o estabelecimento de uma crítica em seu sentido mais profundo, nem há a capacidade de reconhecer os aspectos positivos das mudanças, posto que muitos deles vão contra os fundamentos da ideologia de classe média paulista brasileira.

Já disse e repito: aqueles que elogiam o CQC pelo seu conteúdo de criticidade e denúncia certamente ignoram a linha editorial da emissora que o veicula. Na verdade, que o pauta.

É nefasto o efeito desse tipo de programa que não esclarece seu propósito - se é entreter com aquelas piadas óbvias; se é informar, com isenção, a respeito dos fatos marcantes da semana; se é criticar, como fazem os programas opinativos que, para tanto, trazem (ou deveriam trazer) especialistas dos respectivos assuntos; ou se se presta somente a vender produtos destinados ao público jovem de classe média semi-informada e consumista.

No máximo, o que fazem é propagar, sob nova roupagem, preconceitos antigos e valores questionáveis. Prova disso são as "piadas" preconceituosas que seus integrantes contam, em especial o "grande pensador", Danilo Gentili. 

No fim, mais do mesmo: os assim chamados defensores de novos horizontes acabam por repetir o mesmo machismo, o mesmo preconceito de classe, a mesma hipocrisia e o mesmo quietismo. E são contraditórios até mesmo quando o assunto é liberdade de expressão, como mostra a contenda de Marcelo Tas com a blogueira do excelente Escreva, Lola Escreva

Exemplo lamentável. Numa só tacada Tas foi capaz de defender Gentili em seu infeliz comentário sobre os judeus de Higienópolis e de mostrar que não sabe lidar com críticas.

O autoproclamado jornalista progressista mostrou bem não ser nem uma coisa, nem outra.