sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O ódio contra os estudantes: uma prova de fracasso

É sintomático o tipo de comentário que é postado contra os alunos da USP. E em dois sentidos principais: 1. A falta de conhecimento das pessoas sobre o que se passa lá dentro. 2. O fracasso da universidade em se inserir na sociedade.


Quanto ao primeiro ponto, não vejo que valha pena discutir, pois levar em conta uma reportagem de uma revista tão comprometida com um modelo arcaico elitista brasileiro não dá corpo a uma discussão. Entretanto, a repercussão disso na cabeça de jovens é um triste fato, pois que estes não percebem que os objetivos de uma ideologia são plenamente atingidos no momento em que aqueles que são justamente o alvo de exclusão dessa ideologia passam a defendê-la com vigor e exaltação.


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Anonymous desmascara a Veja

Saiu no Viomundo

"A Veja desta semana tenta linkar o movimento Anonymous com os protestos anti-corrupção no Brasil, utilizando a máscara de Guy Fawkes, símbolo do movimento, em sua capa. Um show de manipulação, já que uma coisa não tem nada a ver com outra."

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Pitaco d'O Caraíba

Pois é. 

É uma estratégia que vem sendo pensada faz um tempo.

Depois de fazer cairem no descrédito todas as manifestações legitimamente populares - do MST à greve dos professores (e, no caso de SP, até confronto entre polícia civil e militar), agora a Veja e os demais instrumentos ideológicos da vanguarda do atraso paulista querem mobilizar o povo, indignado com a corrupção no Brasil.

E os movimentos têm sido um fiasco. 

Esvaziados. 

domingo, 23 de outubro de 2011

O casamento entre capitalismo e democracia acabou

Já tomamos consciência de que não há mais chão???
Por Slavoj Zizek, do Diário Liberdade , via Escrevinhador
Discurso proferido na ocupação de Wall Street

Dizem que somos sonhadores, mas os verdadeiros sonhadores são aqueles que pensam que as coisas podem continuar indefinidamente da mesma forma.

Não somos sonhadores. Somos o despertar de um sonho que está se transformando num pesadelo. Não estamos destruindo coisa alguma. Estamos apenas testemunhando como o sistema está se autodestruindo.

Todos conhecemos a cena clássica do desenho animado: o coiote chega à beira do precipício, e continua a andar, ignorando o fato de que não há nada por baixo dele. Somente quando olha para baixo e toma consciência de que não há nada, cai. É isto que estamos fazendo aqui.

Estamos a dizer aos rapazes de Wall Street: “hey, olhem para baixo!”

Em abril de 2011, o governo chinês proibiu, na TV, nos filmes e em romances, todas as histórias que falassem em realidade alternativa ou viagens no tempo. É um bom sinal para a China. Significa que as pessoas ainda sonham com alternativas, e por isso é preciso proibir este sonho. Aqui, não pensamos em proibições. Porque o sistema dominante tem oprimido até a nossa capacidade de sonhar.

sábado, 22 de outubro de 2011

Chega de sangue

Este atabalhoado blogueiro, que nada escreve há tempos - mas que jura ter ideias que ocupam sua fundida cuca, e que as escreverá tão logo seja possível - republica aqui um excelente texto de Santayana sobre a morte de Kadafi.


 
 

 
Diante da imagem de Kadafi trucidado, e dos aplausos de Mrs. Clinton e de dirigentes franceses, ao ver o homem seminu e ensangüentado, recorro a um testemunho indireto de Henri Beyle – o grande Stendhal, autor de Le Rouge e le Noir – de um episódio de seu tempo. Beyle foi oficial de cavalaria e secretariou Napoleão por algum tempo. Em 1816, em Milão, Beyle ficou conhecendo dois viajantes ingleses, o poeta Lord Byron e o jovem deputado whig John Hobhouse. Coube a Hobhouse relatar o encontro, no qual Beyle impressionou a todos os circunstantes, narrando fatos da vida de Napoleão. São vários, mas o que nos interessa ocorreu logo depois da volta do general a Paris, em seguida à derrota em Moscou. Durante uma reunião do Conselho de Estado, da qual Beyle foi o relator, descobriu-se que Talleyrand havia escrito três cartas a Luís de Bourbon, que restauraria, dois anos mais tarde, o trono. As cartas, que se iniciavam com o reconhecimento de vassalagem, no uso do pronome “Sire”, revelavam que o bispo já conspirava contra o Imperador. Os membros do Conselho decidiram que Talleyrand devia ser castigado com rigor – ou seja, condenado à morte. Só um homem, e com a autoridade de “arquichanceler” do Império, Cambacérès, se opôs, com voz firme: Comment? toujours de sang? Napoleão, que estava deprimido com as cenas de seus soldados mortos no campo de batalha, ficou em silêncio.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A sociologia James Brown d’O Globo

Este diletante e convalescente blogueiro - que há tempos nada escreve - tem o prazer de reproduzir aqui um post do Tijolaço, que recomendo tanto quanto chá depois do almoço.

Que os editoriais de O Globo ataquem o Governo, nenhuma novidade. Que se apresente como paladino da moral e dos bons costumes políticos, também nenhuma novidade, porque não lhes cora o rosto terem crescido sob o manto de uma ditadura que cobriu a Globo como quem sombreia um cogumelo para que este viceje . 

Mas hoje, a pretexto de apoiar as manifestação anticorrupção como efeito da inflação, do aumento de impostos (quais?) e, claro, do governo eleito pelo povo, baixa-lhe o espírito de James Brown (que sua memória me perdoe) e saca uma explicação para a esqualidez destas atos, que são – malgrado boas intenções de alguns de seus participantes – nitidamente insuflados pela oposição e pela mídia.

Diz que é o “feel good factor”.

domingo, 2 de outubro de 2011

Lição de democracia se pratica em casa, não é?

Reprodução de post do Tijolaço
A imagens veiculadas pelo The New York Times não mostram qualquer quebra-quebra, agressão ou algo que possa ser classificado de atos de violência que justificassem a prisão de mais de 700 manifestantes que se dirigiam a Wall Street, o cnetro financeiro do mundo, para reclamar da subseviência do sistema político americano – e mundial – ao capitalismo financeiro. Além do mais, num sábado à tarde, nem mesmo se pode dizer que isso provocaria um transtorno irremediável à vida da cidade.
Os Estados Unidos, sempre prontos a apoiar manifestações civis pacíficas e desarmadas em toda a parte do mundo onde haja um governo que lhe seja hostil, não praticam as lições que pregam?
Não é possível que mais de 700 pessoas tenha “se passado” na manifestação sem que haja registro de cenas de violência por parte dos manifestantes. E, até agora, não há. O próprio video distribuído pela polícia novaiorquina não mostra qualquer ato de vandalismo. O policial apenas lê um texto dizendo que, se atravessarem a ponte, serão acusados de “conduta desordeira”, o que é o alegado para a prisão.

Convenhamos que, assim, dá para enquadrar qualquer manifestação como desordem, não é?
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Pitado d'O Caraíba

Se fosse aqui, estaria o Datena a bradar pela prisão de todos os "desocupados" que estão atrapalhando o trânsito. 

E seriam ouvidos por todos aqueles que votam - em SP - no mesmo modelo de governo que já há pelo menos duas décadas não faz senão assistir os números crescentes de trânsito.

sábado, 1 de outubro de 2011

Pobres que trabalham e estudam têm jornada maior que operários do século XIX


O economista Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), classificou ontem à noite em Curitiba como “heróis” os brasileiros de famílias pobres capazes de conciliar o trabalho com o estudo.

“No Brasil, dificilmente um filho de rico começa a trabalhar antes de terminar a graduação ou, em alguns casos, até mesmo a pós-graduação”, observou Pochmann.

“Os brasileiros pobres que estudam e trabalham são verdadeiros heróis. Submetem-se a uma jornada de até 16 horas diárias, oito de trabalho, quatro de estudo e outras quatro de deslocamento. Isso é mais do que os operários no século XIX.”
A Tarsila já sabia disso faz tempo [O Caraíba]

O presidente do Ipea foi um dos palestrantes na abertura da terceira edição do Seminário Sociologia & Política, ao lado da professora Celi Scalon (UFRJ), no Teatro da Reitoria da UFPR. “Repensando Desigualdades em Novos Contextos” é o tema geral do seminário. Promovido pelos programas de pós-graduação em Sociologia e em Ciência Política da instituição, o evento termina nesta quarta-feira (28).

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Suportar a verdade

Por Vladimir Safatle, em Folha de S. Paulo, via Vermelho
 
Pressionado pela Corte Interamericana de Justiça, que denunciou a situação aberrante do Brasil quanto à elucidação e punição dos crimes de tortura, sequestro, assassinato, estupro e ocultação de cadáveres perpetrados pelo Estado ilegal que vigorou durante a ditadura militar, o governo brasileiro precisava mostrar que fizera algo.

No caso, "algo" significa uma Comissão da Verdade aprovada a toque de caixa, sem autonomia orçamentária, sem poder de julgar, com apenas sete membros que devem trabalhar por dois anos, sendo que comissões similares chegam a ter 200 pessoas.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O Medo e os muros

Coloco aqui um interessantíssimo video que me foi passado por um amigo - Edivaldo Rocha.

E, aproveitando o ensejo, reproduzo abaixo um post publicado no Escrevinhador, sobre um caso presente da mesma lógica perversa de que o video trata.
Nem precisa de pitacos!


Segue post:

Não sabe como resolver um conflito? Construa um muro!
Por Raquel Rolnik, em seu blog

Quando não se sabe como resolver um problema, como enfrentar um conflito, uma questão complexa, constrói-se um muro. Recentemente, vimos anunciada na imprensa a intenção do governo do Estado de São Paulo de construir um muro de 2m de altura ao longo do rio Paraitinga. O objetivo da medida, segundo o governo, é conter as enchentes que, anos atrás, já destruíram parte da cidade de São Luiz do Paraitinga e de seu patrimônio.

A questão complexa, neste caso, é: como proteger a cidade e seu patrimônio da força das águas, ao mesmo tempo respeitando as suas características construtivas, das quais também faz parte a relação histórica de São Luiz do Paraitinga com o rio? Construir um muro para isolar o rio da cidade, neste caso, significa uma falta de solução porque não enfrenta a complexidade da questão ao destruir a relação da cidade com o rio.
Muro construído por Israel


Há muitos outros exemplos que mostram como os muros são, na verdade, formas típicas de não resolução de conflitos. O muro que separa a fronteira dos EUA com o México, para evitar que os latino-americanos entrem ilegalmente nos EUA, ou o muro que Israel vem construindo na Cisjordânia desde 2002 para evitar que os palestinos circulem nesse território, são alguns exemplos. Os dois casos envolvem questões com implicações em termos étnicos, políticos e sociais. O fato é que, em vez de se trabalhar a questão e de se buscar soluções para ela, constrói-se um muro.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Barretos está se tornando uma marca indesejável

Não, não há crueldade nesse "esporte"
Reproduzido do ANDA

Dedicado à minha aluna Priscila do Carmo. Sua preocupação e indignação com o tema a faz desenvolver um interessante TCC sobre a relação entre os indicadores de Responsabilidade Social Empresarial e os direitos dos animais.

Segue post.

por Guilherme Armando Contrucci

Sou professor titular da Escola Nacional de Seguros (Funenseg), do Senac SP e de duas grandes universidades em São Paulo e no Rio de Janeiro, além de ter um programa de televisão na UOL, e também participo do Conselho Deliberativo do Clube Ipê de São Paulo, Greenpeace e sou também palestrante empresarial.

Há muito tempo percebe-se que aversão aos rodeios no Brasil cresce muito mais rápido que os admiradores do evento, mesmo levando-se em consideração o crescimento orgânico desses espetáculos e sua exposição na mídia em geral.

Mas, ao contrário do que se prega na publicidade e no marketing comercial do produto, a imagem da marca está cada vez mais se consolidando como “lugar onde se reúnem pessoas alegres, celebridades de baixo nível (as garotas e garotos de programa da televisão) e apologistas da tortura animal”. Este dado não é minha opinião pessoal.

Em recente pesquisa feita com cerca de 450 alunos das classes B, C e D moradores na grande São Paulo, idades variando de 20 a 34 anos, trabalhadores da indústria formal, identificou-se que a marca Barretos é sinônimo de diversão e crueldade animal.

Dos 450 entrevistados, cerca de 83% responderam que participariam dos eventos se não houvesse o show dos peões e animais, 55% responderam que as cidades promovem rodeios por questões financeiras e não culturais.

Na pesquisa , Barretos foi considerada uma cidade sem “estímulo para visitação” por conta da crueldade contra os animais.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Papagaios e a voz própria

Dedicado aos papagaios, que acham que têm voz própria.


Charge encontrada no Escrevinhador.
Algo semelhante a isso já disse este diletante e repetitivo blogueiro algumas vezes.

Os curiosos podem comprová-lo aqui, aqui ou aqui, até onde alcança a baleada e carcomida memória deste calvo preguiçoso.

Mas há ainda muito a dizer. 

Aqui, cabem algumas palavras sobre o que Hannah Arendt chamou de "pathos do novo", que em tradução livre significa algo como a necessidade de novidades que nos acomete incessantemente.

Já repararam como é comum perguntarmos a alguém, quando o cumprimentamos: "- Quais são as novas?", ou algo que o valha???


Pois é. . . a linguagem torna comum e automático um comportamento que reflete muito o nosso Zeitgeist

É como se estivéssemos fadados a sempre ter algo de novo, para suprirmos, assim, as expectativas de um mundo que avança inexoravelmente rumo ao progresso.

É imperdoável não ter a última versão dos tablets da "épou", mesmo que eles não tenham uma mudança significativa em relação à anterior. Muito menos uma mudança significativa e útil.

E é também curioso como o discurso da utilidade, tão em voga, cai por terra assim tão fácil. . .

Mas não vou falar disso, pois além de diletante, preguiçoso e dotado de memória de peixe, este que vos escreve tem uma incurável tendência à digressão. 

Mal de quem leu Salinger. . . 

Enfim. . .

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Os pobres e os pobres, cegos e surdos

Instrutiva comparação feita pela The Economist, publicada no Tijolaço.

Ótimo para aqueles que, por declaração ideológica e torta de princípios, desqualifica qualquer política de ação afirmativa.

Segue o post. O gráfico é excelente.


Nos dias atrás, a revista inglesa The Economist, mostrando com que país cada estado brasileiro, tomado isoladamente, se parecia em matéria de Produto Interno Bruto, renda per capita e população. O resultado, escandaloso, você pode ver clicando no mapa.

Será que diante de contrastes tão gritantes, as nossas elites continuaram achando que este país pode ir em frente sem corrigir o que já não é nem mesmo um desequilíbrio, mas um ato, literalmente, de desamor ao próximo?



Sim, porque há gente que continua achando que o “zé povinho” das regiões atrasadas deste país pode continuar lá, largado, abandonado, sem que isto inviabilize a existência dos próprios centros desenvolvidos do Brasil?

Volta e meia, porém, este sentimento mesquinho e, sobretudo, burro, aflora nas páginas dos nossos jornais.

Outro dia mesmo, a Folha de S. Paulo tratou o fato de a economia nordestina estar crescendo a taxas superiores à média nacional como se isso fosse um simples arranjo político eleitoral do atual governo. Ora, se o Nordeste não crescer mais do que a média, como é que a desigualdade vai diminuir?

E é pouca, ainda, a vantagem que o Nordeste está tendo em relação às outras regiões. Publiquei, outro dia, o cálculo do IPEA de que, mesmo no ritmo atual, a renda média do nordestino só chegará a ser 75% da renda dos habitantes do sudeste no longínquo ano de 2074.

É uma cruel tradução estatística dos versos de João Cabral de Mello Neto, em Morte e Vida Severina, de que a cova é a “terra mais ancha que terás no mundo”.

Pobre gente. Muito mais pobre do que aqueles lá, que sofrem com o atraso e a pobreza. Pobre, porque perdeu a virtude humana do amor.

Pobre e cega, porque não vê que deixar milhões de seres humanos, ali, do seu lado, se degradarem na miséria é, sem nenhuma dúvida, condenarem a si mesmos a viver em um mundo selvagem.

Pobres, cegos e surdos. Porque nem mesmo conseguiu entender a lição poética de Antônio Carlos Jobim, de que é impossível ser feliz sozinho.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Trevas nas próximas eleições dos EUA - e seu possível e provável rescaldo no Brasil

Texto publicado no Escrevinhador, com um pitaco meu.

Vejam o que é fazer terrorismo!
A eleição de Obama – como todos sabem – foi uma reação aos terríveis anos Bush. Reação tênue. No dia mesmo que ele foi eleito, escrevi aqui que a direita nos Estados Unidos tinha sofrido uma derrota política, mas que numericamente seguia fortíssima. Depois da catástrofe dos anos Bush, os republicanos conseguiram mais de 45% dos votos totais em 2008: “o conservadorismo republicano está mais vivo que nunca. Vai se reagrupar. A direita religiosa, os intervencionistas, os imperialistas, os racistas, a horda de bárbaros que levou Bush ao poder segue firme. Despreza o que o mundo possa pensar, desconfia dos negros, dos latinos, e vai partir pra cima de Obama assim que se passarem os cem dias tradicionais de trégua no início de governo.” (foi o que escrevi em 2008).
Passada a eleição, Obama consumiu capital político para aprovar a reforma de Saúde, e nas outras áreas avançou muito pouco. Na verdade, o aparelho de Estado nos EUA parece dominado por uma sinistra aliança de interesses militares/financeiros/petroleiros (aqui no Brasil, acontece algo parecido – tal o consenso financista que domina o país; só agora, Dilma parece chacoalhar esse consenso, com a estratégia para baixar juros e reduzir o poderio dos rentistas que vivem dos títulos públicos).
No poder, Obama foi acuado pela direita, que cresce sob patrocínio do Tea Party – movimento que no Brasil Serra tentou mimetizar na eleição do ano passado, com o debate sinistro e falso (até porque - sejamos honestos – Serra não é de extrema direita, e nem é um homem religioso) que envolveu aborto e Igrejas de todos os tipos.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Alckmin mandará embora arapongas de Serra?

Do Tijolaço

Alckmin mandará embora arapongas de Serra?

Em mais um sinal de que as bicadas tucanas andam fortes em São Paulo, há notícias de que Governador Geraldo Alckmin anulará o contrato do Prodesp – a empresa estadual de processamento de dados – com empresa Fence, do coronel da reserva Ênio Gomes Fontenelle, contratada por Serra em 2008, sem licitação, depois de ter servido ao “coiso” no Ministério da Saúde.

A Fence ficou conhecida pelas suposições de envolvimento da espionagem que resultou na ação da Polícia federal contra Jorge Murad, marido de Roseana Sarney, que teve de abandonar sua candidatura, levando o PFL – hoje DEM – a apoiar Serra à presidência em 2002.

O site Poder Online, do IG, levantou há dias a possibilidade de continuar existindo um sistema de escutas clandestinas ligadas ao serrismo e ao prefeito Gilberto Kassab:

“Os próximos rounds da luta declarada pelo prefeito Gilberto Kassab a seus adversários promete momentos de revelações e deve ocorrer, na avaliação de políticos paulistas, na campanha eleitoral do ano que vem.

De acordo com testemunhas do primeiro destempero público do prefeito Gilberto Kassab, revelado por Poder Online e ocorrido no dia 23 de maio, nas Faculdades Metropolitanas Unidas, durante palestra sobre bullying, ele travou o seguinte diálogo com o deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP):

- Eu vou quebrar o seu pescoço, o do [Geraldo] Alckmin, do Alexandre [Moraes] e o do Rodrigo [Garcia].

- O que é isso Kassab ? – teria dito Chalita, surpreso com a agressividade do prefeito.

- Tá tudo grampeado – respondeu Kassab.

- Grampeado o quê? Você está me ameaçando? – devolveu o deputado.

Dali pra frente foi Kassab acusando Chalita de fazer e acontecer contra ele e Chalita dizendo que nunca tinha feito nada. Aí o ministro Marco Aurélio Mello, do STF, que mediaria o debate sobre bullying, chamou os dois para começar o evento.

E mais.

No diálogo, se é que a definição seja esta, de quarta-feira, no gabinete do secretário de Desenvolvimento Social, Rodrigo Garcia, Kassab ameaçou:

- Eu sei seus podres.

E ouviu:

- Se eu tenho podres foram feitos ao seu lado.

Muita gente ouviu também. Chalita e Rodrigo Garcia preferiram não comentar os fatos. Alckmin também, de acordo com sua assessoria, calou-se.”

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Pitaco d'O Caraíba: eu quero é ver pena voando! 
 
Cadê o PiG pra exercer a liberdade de imprensa que tanto defende???

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Ruralista foge de debate na TV

Integrante da CNA abandonou gravação de programa da TV Justiça depois de exibição do documentário “O veneno está na mesa”, de Silvio Tendler

Por Maria Mello, no Brasil de Fato, via VioMundo, com os meus pitacos usuais

Um episódio estarrecedor marcado pela falta de respeito à democracia e ao livre debate de ideias provou, mais uma vez, que os ruralistas não têm como defender o indefensável.

Na tarde desta terça-feira (06), um dos representantes da Campanha contra os Agrotóxicos e Pela Vida no Distrito Federal e integrante do SINPAF, Vinícius Freitas, participaria da gravação do programa “Meio ambiente por inteiro”, da TV Justiça, em Brasília, para debater o problema do aumento do uso dos agrotóxicos no Brasil. Além de Freitas, a produção do programa convidou também o integrante da Confederação da Agricultura e Pecuária no Brasil (CNA) José Mário Schereiner para expor a visão da entidade em relação ao tema.

Após serem recebidos pela equipe do programa, os debatedores foram informados da linha de condução das perguntas. No roteiro da entrevistadora, a primeira pergunta seria direcionada ao ruralista e afirmava ser utópica a possibilidade de acabar com o uso de agrotóxicos no país.

No início da gravação, a jornalista apresentou os participantes e chamou o VT de um trecho do documentário “O veneno está na mesa” [disponível aqui - O Caraíba], recém-lançado pelo cineasta Silvio Tendler e que ganhou repercussão nacional, que serviria como pontapé inicial para o debate.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Projeto do Senador Álvaro Dias libera contratação de professores universitários sem pós

Foi publicado e repercutido pela blogosfera, hoje, uma crítica ao projeto de lei do Senador Álvaro Dias que quer "flexibilizar" a contratação de professores para ensino superior.

Este diletante e preguiçoso, porém bem-informado blogueiro já sabia disso há alguns meses, pois, por ser professor universitário, tem o enorme privilégio de receber uma centena de emails de editoras e afins.


Num desses noticiosos emails, cujo apelo é o de "jornal do professor" eis que vinha a notícia, por sua vez, copiada de uma repostagem do Estadão, que segue neste link.

Ora, pensou este caraíba, será que o "jornal do professor" pensa que o "professor" é besta???





Veja abaixo a matéria:

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O caso do Sr. RCabeção

Esta reflexão pouco rigorosa vem ocupando meus diletantes miolos há alguns dias. 

Primeiramente, ela viria numa nota a outro post, mas como ficou um tanto extensa, resolvi dedicar-lhe um post. 

A título de contextualização, peço que leiam o post

Nunca fui a um analista. Os efeitos disso são óbvios, pra quem me conhece. 

Mas mesmo sem diagnóstico de especialista, este diletante blogueiro, que é diletante em tudo, até em autoanálise, não nega ter traços masoquistas. 

Esses traços são evidentes por um hábito que cumpro rigorosamente: ler o blog do Reinaldinho Cabeção, hospedado na referida revista deste post. Quem também o lê, sabe do que estou falando.

E ao tomar conhecimento do que se passou a respeito dos métodos murdochianos da Veja, fui correndo ler o que diria o blogueiro - o qual é evidente que carece muito mais do que eu de terapia!

Já disse outras vezes que, com ele, coerência é lucro.

Honestidade intelectual??? Não fazem parte dos princípios - nem dos meios ou dos fins.

E ele ainda tem a pachorra de distorcer tanto os fatos ao ponto de se colocar como defensor da democracia. 

Caso Veja/Dirceu revelará em que país você vive



Estou em Curitiba a trabalho, envolto em reuniões durante o dia e em intermináveis jantares de negócios à noite, de maneira que serei curto e grosso ao dizer um fato que peço que anote em sua agenda mental, leitor, caso queira saber em que país tem vivido.

A melhor coisa que poderia ter acontecido ao Brasil foi a Veja ousar tanto quanto ousou em seus delírios de poder. Pouco mais há o que dizer em relação a esse caso, apesar de a “grande” imprensa ter sonegado seus prestimosos serviços à Nação.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Giannoti (Sith): “O que pretendem fazer com essa gente?”

A pergunta do Lord Giannotti Sith

Edmilson Lopes Júnior, no Terra Magazine, via Vi o Mundo e acrescido de pitacos meus.

Eis o cativante e sincero sorriso de um verdadeiro Social-Democrata!

De Natal (RN)

Na última semana, um encontro promovido pelo Instituto Fernando Henrique reuniu antigos dirigentes da área econômica e intelectuais tucanos para diagnosticar os principais problemas econômicos do país e, se possível, apontar propostas substantivas para uma alternativa ao que vem sendo feito desde que o Lula tomou posse em 2003. O título do evento não poderia ser mais pomposo: “Transição incompleta e dilemas da (macro) economia brasileira”.

Os “pais do Real”, hoje aboletados nas direções de bancos e fundos de gestão, não trouxeram a esperada luz que iluminaria o escuro caminho da oposição. Com a notável exceção de Pérsio Arida, que apontou a necessidade de uma revisão das regras de gestão e de aplicação dos recursos dos fundos dos trabalhadores (FGTS e FAT), os demais pisaram sobre terreno por demais batido. Queriam mais do mesmo: redução dos gastos públicos. Houve até quem propusesse que abandonássemos a perseguição do modelo de estado de bem-estar (welfare state) europeu.

domingo, 21 de agosto de 2011

Terrorismo de estado dos EUA ameaça humanidade - Portal Vermelho



Miguel Urbano, em odiario.info, via Vermelho



O homem realizou nos últimos dois séculos conquistas prodigiosas. Se fossem colocadas a serviço da humanidade, permitiriam erradicar da Terra a fome, o analfabetismo, as guerras, abrindo portas a uma era de paz e prosperidade.

Mas não é o que acontece. Uma minoria insignificante controla e consome os recursos naturais existentes e a esmagadora maioria vive na pobreza ou na miséria.

O fim da bipolar idade, após a desagregação da URSS, permitiu aos Estados Unidos adquirir uma superioridade militar, política e econômica enorme que passou a usar como instrumento de um projeto de dominação universal. As principais potências da União Europeia, nomeadamente o Reino Unido, a Alemanha e a França, tornaram-se cúmplices dessa perigosa política.

O sistema de poder que tem o seu pólo em Washington, incapaz de encontrar solução para a crise do seu modelo, inseparável da desigualdade social, da sobrexploração do trabalho e do esgotamento gradual dos mecanismos de acumulação, concebeu e aplica uma estratégia imperial de agressão a povos do chamado Terceiro Mundo.

Em guerras ditas de baixa intensidade, promovidas pelos EUA e seus aliados, morreram nos últimos sessenta anos mais de trinta milhões de pessoas. Algumas particularmente brutais, definidas como "preventivas" visaram o saque dos recursos naturais dos povos agredidos.

Pesquisa confirma: MST é demonizado pela mídia - Portal Vermelho


Do Portal Vermelho


Uso de termos negativos, pouca relevância dada às bandeiras da entidade e exclusão do MST como fonte. O que já era percebido pelos movimentos sociais agora foi comprovado em pesquisa que analisou cerca de 300 matérias sobre o MST em TV, jornal impresso e revistas. O resultado desse trabalho será lançado na próxima quarta-feira (24), às 19h, na Tenda Cultural do Acampamento Nacional da Via Campesina (Estacionamento do Ginásio Nilson Nelson), em Brasília.
O relatório, intitulado “Vozes Silenciadas”, analisou as matérias que citaram o MST em três jornais de circulação nacional (Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo); três revistas também de circulação nacional (Veja, Época e Carta Capital); e os dois telejornais de maior audiência no Brasil: Jornal Nacional, da Rede Globo, e Jornal da Record. O período pesquisado foi de 10 de fevereiro a 17 de julho, duração das investigações de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o MST.

O lançamento contará com a presença de Mônica Morão, professora da UFC e responsável pela pesquisa, de Leandro Fortes, jornalista da revista Carta Capital, e da Coordenação do MST. O relatório foi realizado pelo Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social com o apoio da Fundação Friedrich Ebert e da Federação do Trabalhadores em Radiodifusão e Televisão (FITERT).

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Wagner Freitas se lança candidato e tem Maluf como cabo eleitoral

Estava hoje este diletante e preguiçoso Caraíba a folhear o Diário de Guarulhos, este que, como costumo dizer, tem menos conteúdo do que a página inicial do Google - leia aqui a respeito -, quando me deparo com uma manchete inesperada: "Quero fazer grandes obras, diz Freitas", ela dizia. 

E eu, com minha curiosidade que só não ganha da minha preguiça (por pouco, diga-se), meti-me a ler. 

Trata-se de um documento para a posteridade.

O leitor típico que os jornais de guarulhos pressupõem.
Um exemplo do mais puro jornalismo provinciano guarulhense.

Ou a coitada que assinou a matéria é a estagiária que, num acesso de piriri de seu chefe, foi de última hora incumbida de entrevistar o vereador, ou temos mesmo um flagrante caso de incapacidade crítica.

Para quem não conhece a figura que protagoniza a entrevista, trata-se de um parlamentar cuja maior contribuição para a cidade é o silêncio e a segunda, e última, um figurino inconfundível. 

Já publiquei aqui um email que enviei ao senhor em questão e que foi, como se espera de uma pessoa com tal visão apurada de mundo, sumariamente ignorado. Leiam aqui o email enviado.

O silêncio dele diz muito. . .

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

José Serra abre consultoria

Charge do Bessinha no Conversa Afiada
Essa eu tinha que colocar aqui!











Vejam também aqui, no Tijolaço: Serra Eventos & Factóides LTDA.



Deu na Folha:
Sem cargo eletivo, o ex-governador José Serra, derrotado nas eleições presidenciais de 2010, abriu uma consultoria em abril, a Apecs Consultoria e Assessoria em Gestão Empresarial. Segundo o registro na Junta Comercial, a Apecs faz consultoria em gestão empresarial (exceto consultoria técnica específica); edição de livros; serviços de organização de feiras, congressos, exposições e festas; além de atividades de apoio à educação.
>Serra tem um sócio “minoritário”: o ex-presidente da Sabesp – aquela que anunciava no Acre como era boa a água da bica em São Paulo – Gesner Oliveira, que tem 1% do capital.
Não se sabe que tipo de consultoria Serra prestará a empresas – que, como se sabe, não gostam de viver de “roda-presa” – ou a eventos. A presença de Serra? Espanta o público. Ou será que ele criará factóides, como o daquele “objeto voador não identificado” que quase vai para o Guiness como o primeiro caso de coma provocado por bolinha de papel da história?
Bem, como a própria matéria registra, Serra não tem sido muito bem sucedido – ao contrário de Lula – na atividade de palestrante pago. Fez três palestras, e pelo menos duas delas , para empresários.
É que essa turma não gosta de jogar dinheiro fora.
Serra talvez se saísse melhor como vendedor. Afinal, já vendeu a Vale e quase vendeu a Petrobras. Isso é currículo, não é?

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Pitaco d'O Caraíba:

Eu conheço uma série de pessoas "cults" ou afeitas ao modismo por eles mesmos mal compreendido do empreendedorismo que usam o Serra (e seu Sancho Pança, o Reinaldinho Cabeção) como arauto da intelectualidade. Nesse rol incluem, eventualmente, Arnaldo Jabor, Sardemberg, Mirian Leitão, Renato Machado, "o Enólogo", e, na versão mais jovem, "yuppie", o CQC (é, pra mim eles não têm nome próprio. O único que tinha, deveria estar ainda no papel de Prof. Tibúrcio, única real contribuição dele para o mundo).

Vejam - no meio destes aficcionados pelo Twitter, por exemplo, aqueles que seguem o @joseserra_ . Vejam que fazem isso para darem a si mesmos um verniz de cults e politizados ao mesmo tempo.

Lamentável. . .


quinta-feira, 21 de julho de 2011

O cara e a crise

Do Vermelho






Este diletante blogueiro tem especial apreço pelas charges do Vermelho.

E também as acha autoexplicativas, de modo que. . . não dará pitacos.

Mas pode recebê-los.

domingo, 17 de julho de 2011

Os otavinhos e os otavynhos

Texto de Emir Sader, na Carta Maior, via Escrevinhador, acrescido de um pitaco meu.

Os otavinhos são personagens típicos do neoliberalismo. Precisam do desencanto da esquerda, para tentar impor a ideia do tango Cambalache: Nada é melhor tudo é igual.
Os otavinhos são jovens de idade, mas envelhecem rapidamente. Passam do ceticismo – todo projeto de transformação deu errado, tudo é ruim, todo tempo passado foi melhor, a política é por natureza corrupta – ao cinismo –quanto menos Estado, melhor, quanto mais mercado, melhor.
São tucanos, seu ídolo é o FHC, seu sonho era fazer chegar o Serra – a quem não respeitam, mas que lhes seria muito funcional – à presidência. Vivem agora a ressaca de outra derrota, em barzinhos da Vila Madalena.
Tem ódio ao povo e a tudo o que cheira povo – popular, sindicatos, Lula, trabalhadores, PT, MST, CUT, esquerda, samba, carnaval.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Emigração de SP já é maior do que imigração para SP

O Uol publicou hoje (aqui) um estudo do IBGE que mostra como a relação de imigração e emigração em SP é agora oposta ao que era tempos atrás.

Diz o post: "São Paulo recebe menos da metade dos migrantes de 15 anos atrás"

E continua:  "Em 2000, o Estado tinha 339 mil mais imigrantes do que emigrantes, ao passo que em 2009 o fluxo se inverteu, havendo 53 mil mais emigrantes do que imigrantes."

E leia-se: imigrantes = nordestinos.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Serra e Aécio fazem escola: Deputado tucano demite jornalista em Guarulhos

por Conceição Lemes, no Viomundo, publicado ontem, 10/7

Mas não esqueçamos que este modesto e diletante Caraíba já noticiara o fato na sexta-feira.

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Cuidado, guarulhenses. Este sujeito será candidado no nosso próximo pleito municipal. Lembrem-se desse sorriso franco e puro na hora da urna.
Não sei se a “doença” já está incorporada no DNA do PSDB ou se trata de “infecção” que às vezes se transmite entre tucanos, especialmente os de alta plumagem. O fato é que alguns adoram pedir aos patrões da mídia corporativa a cabeça de jornalistas que perguntam ou escrevem sobre fatos que lhes desagradam.

O ex-governador José Serra (PSDB-SP) e o senador Aécio Neves (PSDB-MG) são “mestres” nesse tipo de censura e estão fazendo escola. O deputado federal Carlos Roberto de Campos (PSDB-SP) é o mais novo “adepto”. Nessa quinta-feira, 7 de julho, ele pediu e conseguiu a demissão do jornalista Ricardo Gomez Filho, do jornal Metrô News, sediado em Guarulhos e que circula nas estações do metrô de São Paulo.

Custo das obras da Marginal aumentam 75%

Saiu no Uol, bem no canitnho, pra ter poucos leitores. . .
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Apesar de as novas pistas da Marginal do Tietê terem sido abertas há quase um ano e meio, as obras de ampliação continuam consumindo dinheiro dos cofres públicos. Uma nova atualização no valor do convênio firmado entre Prefeitura de São Paulo e governo do Estado colocou mais R$ 200 milhões na obra no fim de junho. O custo da Nova Marginal chega a R$ 1,75 bilhão - 75% acima do estimado no primeiro orçamento, de 2008.
No total, seria possível construir 300 escolas ou 7 hospitais de 200 leitos cada com os R$ 750 milhões extras que já foram gastos com a avenida. O aumento de custos é resultado da inclusão de serviços que não estavam previstos pela Desenvolvimento Rodoviário S. A. (Dersa), empresa responsável pela obra.
Em fevereiro deste ano, só faltava terminar a ponte estaiada do Complexo Bandeiras, que vai facilitar a entrada dos veículos na Avenida do Estado a partir da Marginal - prevista no projeto inicial, em 2008. A nova injeção de recursos não será dirigida apenas para a nova ponte.
Segundo a Dersa, os R$ 200 milhões são necessários para obras secundárias, como travessias subterrâneas para passagens de cabos para iluminação, complementos de barreiras de concreto e o alargamento da pista local para implantação da 4.ª faixa entre as Pontes do Limão e Casa Verde. Esta última ainda não foi concluída, e não foi informado prazo para o término dos trabalhos. A Dersa não revelou a lista completa de ajustes ainda por fazer.

Explicações
Os convênios são instrumentos jurídicos que viabilizam o repasse de recursos para a execução da obra. No caso da Marginal, o primeiro foi assinado em 25 de fevereiro de 2008, no valor de R$ 1 bilhão, quando se deu o pontapé inicial para os trabalhos. Progressivamente, novas atualizações foram feitas para que a Dersa pagasse os serviços considerados necessários para a continuação da obra.

Em relação aos motivos dos aumentos, a empresa afirmou que, como o projeto de engenharia e o licenciamento ambiental foram concluídos após a assinatura do convênio, somente com a finalização desses trabalhos é que foi possível obter uma "estimativa mais realista sobre o custo do empreendimento". Outra justificativa para os aditamentos foi a inflação, já que o convênio não possui cláusulas para reajuste automático da correção monetária.

A empresa disse também que há a possibilidade de não usar todo o valor das atualizações, mas não informou quanto dos R$ 200 milhões será usado ou economizado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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Ps. d"O Caraíba: Pelo visto, não é só com as obras da Copa que devemos nos preocupar. 

E mais, queridos leitores: façam as contas de quanto custou cada metro de pista. Vocês verão que é absurdo. E no ano que vem, nas eleições, não se esqueçam de votar no Kassab!

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Censura tucana na província de Guarulhos

Este diletante blogueiro já publicou algo sobre a midia de Guarulhos (aqui).

E hoje se depara com uma notícia bem interessante, encontrada no Terror do Nordeste, de autoria do jornalista Ricardo Gomez, aqui.

Reproduzo abaixo a notícia:

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Amigos e colegas:

Acabo de ser demitido da Empresa Jornalística Folha Metropolitana um ano, um mês e quatro dias depois de ser contratado para ser repórter de política. Este não é meu primeiro trabalho e nunca tornei público o motivo da saída por julgar que admissão e demissão fazem parte da liturgia das empresas. Logo, jamais exporia as razões da saída, se o motivo fosse contenção de despesas, qualidade do trabalho prestado, incompatibilidade entre mim e a chefia...
Desta vez, porém, é diferente: a minha demissão ocorreu porque noticiei em primeira mão e venho acompanhando o caso de nepotismo na Secretaria de Estado da Energia, sob o deputado licenciado José Aníbal (PSDB). A notícia está na página 10 da edição desta quinta-feira do jornal Metrô News.

A crise européia e a agonia neoliberal

Por Saul Leblon, no sítio Carta Maior, via Blog do Miro

A longa agonia do arcabouço ideológico neoliberal registrou mais um espasmo pedagógico.

Na terça-feira (5) governantes e autoridades financeiras da União Européia rangeram e rugiram diante da decisão da agencia de risco Moody's, que reduziu a classificação dos títulos da dívida portuguesa para a categoria ‘junk’ (lixo).



Lisboa acaba de obter um socorro de 78 bilhões de euros, em três anos, em troca de um pacote de ajuste que o próprio primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, direitista assumido, admite ser um gigantesco contrato de recessão com o futuro. A exemplo do que faz a Grécia, a auto-imolação lusa inclui demissões, cortes de gastos em áreas essenciais, aumento de impostos e privatização, inclusive da tevê pública portuguesa.

terça-feira, 5 de julho de 2011

$ilas Malacheia e Reinaldinho Cabeção

Este diletante blogueiro, que ri de rachar com a Tia Carmela, recomenda este post.

Lá, o leitor poderá ver a pré-campanha do Cabeção à vereança de Dois Corgo e o apoio de Malacheia à campanha. Segue trecho:

"O Pastor Carioca $ilas Malacheia, egresso que é de uma raça superior, tornou-se importante ativista na luta pelo direito de discriminar, agredir e injuriar o restante da  bicharada, e trará esse know-how para a campanha do Sr. Reinaldinho Cabeção."

O nosso futuro e o casaco de 29 reais

Do Azenha. Estarrecedor! Longo, mas vale muito a pena.


Vivemos tempos interessantes. A acreditar no noticiário, falta dinheiro aos governos.


No entanto, o Rio de Janeiro é um canteiro de obras.


E os estádios sobem.


E o BNDES — sim, eu sei, a BNDESPar — ajuda o Abílio, o Eike e outros pobres milionários.


Não, não há dinheiro para investir nos grandes equalizadores: educação pública e gratuita para todos (com bons salários para os professores) e banda larga realmente larga e universal para todos.


Lá na Coreia do Sul eles deram um jeito. Tudo bem, já entendi, sei que o país, comparado ao Brasil, é pequeno e a densidade demográfica é grande. Custaria mais caro, aqui, fazer o backbone feito lá, através do qual o estado cripto-comunista espalhou as redes de fibra ótica.

Lá foi dinheiro público financiando a iniciativa privada: quem cuidou e cuida da “última milha” são as empresas de telefonia e internet. Mas, ao controlar a infraestrutura, além de garantir a própria soberania na idade da informação, fazendo as ferrovias do século 22, o estado sul coreano ganhou poder de barganha diante das empresas privadas. Ditou as regras com um porrete na mão: lá, segundo a OECD (Organização para a o Desenvolvimento e Cooperação Econômica) 100 mbps pelo equivalente a 60 reais mensais; aqui, 1mbps por 35 reais. Nossa vantagem é que temos a Anatel para garantir que o serviço será de fato prestado nas condições propagandeadas…

sexta-feira, 1 de julho de 2011

A conspiração por trás das tomadas e dos plugs: o fim do mundo tal como o conhecemos!

Consequência da implementação de padrão
novo de tomadas e plugs
Caros leitores, o que tenho a vos dizer aqui é de importância fundamental. Talvez seja a mais bombástica notícia da década. E quem a deu foi o filhote de urubu, codinome C.A. Sardenberg, notório jornalista de economia que, tal como sempre nos lembra PHA, não é nem uma coisa nem outra.

Passemos ao fato:

Depois de paulatinamente implantada por cerca de 10 anos - DEZ ANOS!!!! -, desde que foi planejada, a padronização de tomadas entra em vigor definitivamente.

Percebem, leitores???? É o prenúncio do fim dos tempos!!! 2012 está logo aí. 

terça-feira, 28 de junho de 2011

O que você não leu na mídia sobre Paulo Renato (1945-2011)

Reproduzo, aqui, artigo de Idelber Avelar, no Outro Olhar da Revista Forum.

Morreu de infarto, no último dia 25, aos 65 anos, Paulo Renato Souza, fundador do PSDB. Paulo Renato foi Ministro da Educação no governo FHC, Deputado Federal pelo PSDB paulista, Secretário da Educação de São Paulo no governo José Serra e lobista de grupos privados. Exerceu outras atividades menos noticiadas pela mídia brasileira.
Nas hagiografias de Paulo Renato publicadas nos últimos dois dias, faltaram alguns detalhes. A Folha de São Paulo escalou Eliane Cantanhêde para dizer que Paulo Renato deixou um “legado e tanto” como Ministro da Educação. Esqueceu-se de dizer que esse “legado” incluiu o maior êxodo de pesquisadores da história do Brasil, nem uma única universidade ou escola técnica federal criada, nem um único aumento salarial para professores, congelamento do valor e redução do número de bolsas de pesquisa, uma onda de massivas aposentadorias precoces (causadas por medidas que retiravam direitos adquiridos dos docentes), a proliferação do “professor substituto” com salário de R$400,00 e um sucateamento que impôs às universidades federais penúria que lhes impedia até mesmo de pagar contas de luz. No blog de Cynthia Semíramis, é possível ler depoimentos às dezenas sobre o que era a universidade brasileira nos anos 90.
Ainda na Folha de São Paulo, Gilberto Dimenstein lamentou que o tucanato não tenha seguido a sugestão de Paulo Renato Souza de “lançar uma campanha publicitária falando dos programas de complementação de renda”. Dimenstein pareceu desconsolado com o fato de que “o PSDB perdeu a chance de garantir uma marca social”, atribuindo essa ausência a uma mera falha na campanha publicitária. O leitor talvez possa compreender melhor o lamento de Dimenstein ao saber que a sua Associação Cidade Escola Aprendiz recebeu de São Paulo a bagatela de três milhões, setecentos e vinte e cinco mil, duzentos e vinte e dois reais e setenta e quatro centavos, só no período 2006-2008.
Não surpreende que a Folha seja tão generosa com Paulo Renato. Gentileza gera gentileza, como dizemos na internet. A diferença é que a gentileza de Paulo Renato com o Grupo Folha foi sempre feita com dinheiro público. Numa canetada sem licitação, no dia 08 de junho de 2010, a FDE da Secretaria de Educação de São Paulo transfere para os cofres da Empresa Folha da Manhã S.A. a bagatela de R$ 2.581.280,00, referentes a assinaturas da Folha para escolas paulistas. Quatro anos antes, em 2006, a empresa Folha da Manhã havia doado a curiosa quantia–nas imortais palavras do Senhor Cloaca–de R$ 42.354,30 à campanha eleitoral de Paulo Renato. Foi a única doação feita pelo grupo Folha naquela eleição. Gentileza gera gentileza.
Mas que não se acuse Paulo Renato de parcialidade em favor do Grupo Folha. Os grupos Abril, Estado e Globo também receberam seus quinhões, sempre com dinheiro público. Numa única canetada do dia 28 de maio de 2010, a empresa S/A Estado de São Paulo recebeu dos cofres públicos paulistas–sempre sem licitação, claro, porque “sigilo” no fiofó dos outros é refresco–a módica quantia de R$ 2.568.800,00, referente a assinaturas do Estadão para escolas paulistas. No dia 11 de junho de 2010, a Editora Globo S.A. recebe sua parte no bolo, R$ 1.202.968,00, destinadas a pagar assinaturas da Revista Época. No caso do grupo Abril, a matemática é mais complicada. São 5.200 assinaturas da Revista Veja no dia 29 de maio de 2010, totalizando a módica quantia de R$1.202.968,00, logo depois acrescida, no dia 02 de abril, da bagatela de R$ 3.177.400, 00, por Guias do Estudante – Atualidades, material de preparação para o Vestibular de qualidade, digamos, duvidosíssima. O caso de amor entre Paulo Renato e o Grupo de Civita é uma longa história. De 2004 a 2010, a Fundação para o Desenvolvimento da Educação de São Paulo transfere dos cofres públicos para a mídia pelo menos duzentos e cinquenta milhões de reais, boa parte depois da entrada de Paulo Renato na Secretaria de Educação.
Mas que não se acuse Paulo Renato de parcialidade em favor dos grandes grupos de mídia brasileiros. Ele também atuou diligentemente em favor de grupos estrangeiros, muito especialmente a Fundação Santillana, pertencente ao Grupo Prisa, dono do jornal espanhol El País. Trata-se de um jornal que, como sabemos, está disponível para leitura na internet. Isso não impediu que a Secretaria de Educação de São Paulo, sob Paulo Renato, no dia 28 de abril de 2010, transferisse mais dinheiro dos cofres públicos para o Grupo Prisa, referente a assinaturas do El País. O fato já seria curioso por si só, tratando-se de um jornal disponível gratuitamente na internet. Fica mais curioso ainda quando constatamos que o responsável pela compra, Paulo Renato, era Conselheiro Consultivo da própria Fundação Santillana! E as coincidências não param aí. Além de lobista da Santillana, Paulo Renato trabalhou, através de seu escritório PRS Consultores – cujo site misteriosamente desapareceu da internet depois de revelações dos blogs NaMaria News eCloaca News–, prestando serviços ao … Grupo Santillana!, inclusive com curiosíssima vizinhança, no mesmo prédio. De fato, gentileza gera gentileza. E coincidência gera coincidência: ao mesmo tempo em que El País “denunciava”, junto com grupos de mídia brasileiros, supostos “erros” ou “doutrinações” nos livros didáticos da sua concorrente Geração Editorial, uma das poucas ainda em mãos do capital nacional, Paulo Renato repetia as “denúncias” no Congresso. O fato de a Santillana controlar a Editora Moderna e Paulo Renato ser consultor pago pelo Grupo Santillana deve ter sido, evidentemente, uma mera coincidência.
Mas que não se acuse Paulo Renato de parcialidade em favor dos grupos de mídia, brasileiros e estrangeiros. O ex-Ministro também teve destacada atuação na defesa dos interesses de cursinhos pré-vestibular, conglomerados editoriais e empresas de software. Como noticiado na época pelo Cloaca News, no mesmo dia em que a FDE e a Secretaria de Educação de São Paulo dispensaram de licitação uma compra de mais R$10 milhões da InfoEducacional, mais uma inexigibilidade licitatória era anunciada, para comprar … o mesmíssimo produto!, no caso o software “Tell me more pro”, do Colégio Bandeirantes, cujas doações em dinheiro irrigaram, em 2006, a campanha para Deputado Federal do candidato … Paulo Renato! Tudo isso para não falar, claro, do parque temático de $100 milhões de reais da Microsoft em São Paulo, feito sob os auspícios de Paulo Renato, ou a compra sem licitação, pelo Ministério da Educação de Paulo Renato, em 2001, de 233.000 cópias do sistema operacional Windows. Um dos advogados da Microsoft no Brasil era Marco Antonio Costa Souza, irmão de … Paulo Renato! A tramóia foi tão cabeluda que até a Abril noticiou.
Pelo menos uma vez, portanto, a Revista Fórum terá que concordar com Eliane Cantanhêde. Foi um “legado e tanto”. Que o digam os grupos Folha, Abril, Santillana, Globo, Estado e Microsoft.

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Nota d'O Caraíba: Já vai tarde!

sábado, 25 de junho de 2011

Flashback - O Desejo Secreto de Bolsonaro

Visto que estamos em época de manifestação do orgulho gay, reproduzo aqui um post dedicado ao Excelentíssimo Deputado Bolsonaro, que publiquei um tempo atrás.

Don't mix races: assustador!

Reproduzo aqui um post da Maria Frô que é chocante.

Não tenho muitas outras informações sobre o video além das que a Maria Frô nos traz.

Mas a existência disso, com esse discurso tão equivocado quanto preconceituoso, é por si só complicada. . .

quinta-feira, 23 de junho de 2011

quinta-feira, 16 de junho de 2011

O maior comédia dos últimos tempos

Há uma radical diferença quando mudamos o termo "comédia" de gênero: a comédia é toda obra que usa de recursos satíricos e cômicos para alcançar seus fins estéticos. Vale ainda dizer que é uma das mais eficazes formas de promover a Κάθαρσις (detalhes suficientes para o caso, aqui), segundo Aristóteles. 

Mas para produzir tal efeito, a comédia tem de ser boa. Não servem as "sacadas" pontuais que têm alguns, por assim dizer, comediantes. Nem as inferências óbvias e repetitivas, tipo Zorra Total ou CQC, que servem bem aos QI's de um dígito. A comédia de verdade, é muito mais do que isso.

Enfim. . . quando mudamos o gênero de feminino para masculino, ou seja, quando tiramos de cena a comédia, em seu lugar temos o comédia, que, na linguagem popular, se refere com frequência a qualquer otário, tonto, babaca. . . um típico comédia. 

Eventualmente, o termo é aplicado àqueles que fazem piadas "sem graça", como é o caso daquelas que troçam a partir de preconceitos vários ou injustiças sociais, como é o caso das tantas que conhecemos sobre a inteligência dos portugueses ou das mulheres, da sexualidade dos japoneses etc. 

Recentemente tivemos as "estrelas" do CQC protagonizando "piadas" feitas a partir de tais preconceitos e estereótipos, como é o caso da infeliz piada sobre os judeus da cidade higiênica, ou sobre a gratidão que deveriam ter as mulheres feias pelos seus violentadores.

Isso mostra a ausência total de limites - o velho simancol - desse pessoal em sua avidez por fama. Qualquer coisa vale para não deixar a oportunidade passar. 

E quando as piadas saem assim, sem graça, forçadas. . . elas se tornam exemplos clássicos de . . . comédias. 
Só que não percebem que são eles mesmos as piadas. 

E é nessa toada que acabo de ver uma notícia no Uol que, acredito, é pura piada: Rafael Cortez (outra "estrela" do CQC) lança CD violonístico. 

Não vou cometer o disparate de avaliar seu trabalho antes de ouvir atentamente - coisa que de fato não pretendo fazer -, mas me permito aqui uma reflexão prévia: 
1. Este CD estaria sendo lançado como carona pelo sucesso que seu autor conquistou no campo do "jornalismo", ou tem valor independentemente disso?
2. Não seria, portanto, um típico caso de "jabá"?!

Assim sendo, permito-me não ouvir o CD. Mesmo porque a "palhinha" que o fulano dá, no video do link acima, já me satisfaz: é um trabalho como os demais de Cortez: medíocre. Não vale o tempo gasto ouvindo.

Sei que o post já está ficando grande demais, mas preciso ainda dizer uma última coisa sobre o comédia em questão, que está nítido em sua entrevista. 

Trata-se da boa e velha "superficialidade profunda", conceito marxiano interessante. . .

Vejam, queridos e enfastiados leitores, que o grande Cortez fez um "improviso" a partir de um diálogo de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. E que é capaz de citar violonistas clássicos como . . . Segóvia. 

Para quem não conhece, Andrés Segóvia é um violonista espanhol realmente brilhante. É como o Pelé no futebol. E é por isso que é completamente inútil dizer que sua referência no mundo do violão é o Segóvia: é chover no molhado. 

Mas eu vejo que isso é um índice de que nosso comédia não está lá tão atualizado no mundo da música como pretende transparecer. Quando as pessoas citam os autores mais óbvios, elas estão, na verdade, dando o velho truque da "superficialidade profunda", que quer dar a entender que o fulano "manja" de tudo, quando na verdade só lê orelhas de livros. 

A mim, não me surpreende. 

Noutro momento continuarei a tratar dessa superficialidade "cult" que arrotam por aí os leitores de Saramago.  Por ora, recomendo o video abaixo, versão do Faith No More de um clássico dos Bee Gees:




O refrão não poderia ser mais apropriado: the joke was on me. Recomendo, inclusive, como "bonus" ao CD do Sr. Cortez.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Do Vermelho

Transparência Seletiva

 


Imperdível texto escrito por Rodrigo Vianna aqui.
Esse escrevinhador teve acesso, ontem, ao mandado de segurança da “Folha” contra Helena Chagas, a responsável pela SECOM (Secretaria de Comunicação do governo federal). O jornal paulista queria detalhes sobre as verbas de publicidade do governo. A SECOM mandou as explicações, mas sem os detalhes requeridos pelo jornal. A “Folha”, então, entrou com o mandado de segurança, em nome da “transparência”. Louvável a preocupação do jornal.
Quem há de ser contra a “transparência”?
O que esse escrevinhador não entende é por que a “Folha” só se preocupa com transparência federal. Transparência estadual, nem pensar. 
Caminhemos, então, para a transparência geral e irrestrita. O contribuinte de São Paulo, por exemplo, merece saber quanto o governo paulista gasta (ou gastou) com assinaturas da “Folha” e do “Estadão”. O contribuinte paulista merece saber porque o Estado contratou os serviços da editora Abril para fornecimento da revista “Nova Escola” – sem licitação. O caso foi denunciado pelo deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP), como se pode ler aqui.
Esse escrevinhador não estranharia se, em breve, outros meios de comunicação entrarem com ação semelhante cobrando explicações sobre os gastos do governo paulista (incluindo a Sabesp, estatal de águas que anuncia até em Pernambuco)  ou do governo mineiro (que teria anunciado de forma generosa numa das rádios que – hoje se sabe – pertence a Aécio Neves). E fariam isso inspirados no louvável ato da “Folha” (que, certamente, não usou o mandado de segurança para pressionar a SECOM, nem para obter mais anúncios do governo federal).
Em nome da transparência no uso de recursos públicos – e mesmo na área privada – seria útil consultar o Ministério Público, o CADE e a CVM, para questionar:
- órgãos de comunicação impressos usam o IVC (que mede a circulação) para montar suas tabelas de anúncios; o IVC é confiável? quem controla o IVC?
- empresas privadas (com ação em Bolsa), que anunciam em jornais e revistas com base em tabelas baseadas no IVC, estão gastando o dinheiro dos acionistas de forma justa?
-  o bônus de veiculação (BV) que certas empresas de comunicação pagam às agências de publicidade (quanto mais dinheiro a agência concentra num determinado meio, mais ela recebe de volta, na forma de BV) não atenta contra as regras de concorrência e de livre mercado?
Ou seja: é o meio de comunicação que remunera a agência! O BV não é um “escândalo” estatal. É um escândalo do mundo privado da publicidade.  
São questionamentos pertinentes: em nome da transparência!
Sem falar num fato absurdo, que ainda hoje garante polpudos recursos aos jornais: a lei obriga empresas de capital aberto a publicar balanços em jornais “de grande circulação”. Pra que? O acionista já recebe relatórios por e-mail, tem acesso ao site da empresa. Alguém acredita que o acionista vai folhear a “Folha”, o “Estadão” ou “Valor” para saber detalhes do balanço de uma empresa em que investe? 
A obrigatoriedade de balanço em jornal é uma forma de transferir recurso do acionista de grandes empresas para as famílias que controlam os jornais. É outro escândalo do mundo privado da publicidade. Um escândalo que mexe com bolso de cada um que tem dinheiro investido em ações.
No mandado de segurança, a “Folha” fala em “injustificável opacidade” de informações. Belíssima expressão! Quem assina a ação é a causídica Taís Gasparian – a mesma que, durante a campanha de 2010, em nome do mesmo jornal, lutou desesperadamente para obter o processo de Dilma no STM. A “Folha” queria saber o que Dilma dissera, sob tortura. Imaginem o uso que isso teria. Faz sentido, afinal a “Folha” é um jornal que abre espaço para o torturador Ustra.
Um jornal, certamente, transparente, em sua história e em suas intenções.  
Desde logo, esse blogueiro soma-se à “Folha” na busca de ”transparência” no mundo da publicidade. Transparência ampla, geral e irrestrita, incluindo BV, balanços de empresas, IVC e – claro – os gastos de publicidade de governos estaduais ricos – como os de Minas e São Paulo.
Viva a transparência total! Abaixo a transparência seletiva!
Leia outros textos de Radar da Mídia

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Nota d'O Caraíba: O mesmo devemos reivindicar para o que se paga por publicidade televisiva.