sexta-feira, 4 de junho de 2010

Dra. Sandra, a preparação do crime está nos jornais

Do Tijolaço

Agora que o Tribunal Superior Eleitoral deu uma travada na atitude do Ministério Público de ver campanha eleitoral subjetiva em tudo o que Lula e Dilma fazem e falam – e também recusou, muito corretamente, uma punição a Marina Silva porque alguém colocou uma simples faixa dizendo Marina é a cara do Brasil, num evento – a ilustre vice-procuradora Dra. Sandra Cureau talvez tenha tempo para lembrar que José Serra, apesar de estar minguando, existe.

E que está violando a lei não de forma subjetiva, mas objetiva, ao participar, como fez no programa do Dem, de programas de outros partidos, o que é expressamente proibido em lei- desculpem a cantilena: Lei 9096, art.45, parágrafo 1°, inciso I .

A inação do Ministério Público, até agora, em relação a eles é tamanha que nem se envergonham de publicar no jornal como será a burla.

Vejam a matéria distribuída hoje pela Agência Estado.

A ideia é que o tucano participe da convenção nacional do PTB, entre os dias 18 e 20 deste mês. Serra deverá ir ao evento, durante o qual serão captadas imagens de sua fala para os presentes. Na reunião de ontem, participou ainda o secretário nacional de comunicação do PTB, Honésio Ferreira, que ficará responsável pela coordenação do programa no rádio e na TV. O programa do PTB deverá ter um formato de documentário e privilegiar as cenas da convenção.

Com o uso das imagens feitas no encontro do aliado, a coordenação da campanha do PSDB acredita que minimiza eventuais problemas com a Justiça Eleitoral – há questionamentos a respeito da legalidade de aparições em programas de partidos aliados.

A avaliação é de que, caso a Justiça seja acionada, o PSDB e o PTB podem se defender dizendo que foram usadas imagens de um encontro dos petebistas, do qual Serra apareceu como convidado, o que é permitido. Além do programa do PTB, está prevista a participação de Serra no do PPS, que vai ao ar no dia 10.

Já expliquei aqui que, independente do tabu de censura prévia – censura é vetar conteúdo, não uso irregular da campanha – existe o remédio, já reconhecido em jurisprudência do TSE, que é o da notificação para que se abstenha da transgressão. É mais que justificável, frente ao precente e ao noticiário.

Será que o MP, que enxerga chifre em cabeça de cavalo quando se trata dos outros, vai ficar assistindo inerte à transgressão de Serra?


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Comentário meu:


Elementar, meu caro. . .

Ataque a navio matou 19 e não 9; corpos foram jogados no mar

Saiu no Vermelho

A ativista e cineasta brasileira Iara Lee, detida por tropas israelenses na ação militar contra embarcações que levavam ajuda humanitária à Gaza na segunda-feira passada, disse que passageiros do barco em que viajava "'viram soldados atirando corpos no mar". Israel sustenta que 9 pessoas morreram no ataque, mas Iara discorda. "Nossa contabilidade é de que 19 pessoas morreram. Ainda há gente desaparecida, não sabemos o que aconteceu com eles. E ainda há feridos muito graves, praticamente morrendo, que não conseguimos retirar do hospital em Tel Aviv."

Iara viajava no barco Mavi Marmara, que foi palco dos episódios de violência que resultaram na morte de nove ativistas. Em entrevista à BBC Brasil, de Istambul, onde chegou nesta quinta-feira de madrugada junto com um grupo de cerca de 450 ativistas deportados de Israel, Iara disse não ter testemunhado as mortes, mas que "outras pessoas que estavam no barco contaram ter visto soldados atirando corpos no mar".

Iara contou que os atiradores de elite do Exército de Israel entraram no principal navio da frota "atirando para matar". Segundo ela, o operador de internet do Mavi Marmara foi morto com um tiro na cabeça.

"Ele estava na sala de operações, perto da ponte, por onde entraram os atiradores de elite. O corpo dele foi encontrado com um tiro na cabeça", disse ela nesta quinta-feira, antes de embarcar para os Estados Unidos, onde vive.

Iara contou que estava embaixo do convés no momento do ataque, mas quando subiu para procurar seu cinegrafista, viu quatro corpos e vários feridos.

"Era muito sangue, eu comecei a passar mal, tive ânsia de vômito e até desisti de procurá-lo." Violência desproporcional Para a cineasta, a violência usada pelas tropas na ação foi desproporcional.

"Nos barcos pequenos, eles usaram balas de borracha, gás lacrimogêneo e armas de choque. Mas no nosso barco, eles chegaram usando munição de verdade", conta.

"Foram atiradores de elite, todos vestidos de preto, armados".

A cineasta contou que a abordagem israelense ocorreu por volta de 04h30 da madrugada, no escuro, e que foi muito rápida.

"Tinha dois barcos da Marinha. Quando a gente piscou apareceram dezenas de barcos de borracha, helicópteros, atiradores de elite descendo no barco. A marca registrada deles é o silêncio, fomos pegos de repente", ela lembra.

Iara acredita que os soldados ficaram assustados com o número de passageiros a bordo - mais de 600 - e que, por isso, ele podem ter optado por uma ação rápida com o objetivo de assumir imediatamente o controle do barco.

"Esperávamos que eles atirassem para o alto, em direção aos nossos pés, para nos assustar. Imaginávamos que eles fossem tentar jogar redes nos nossos motores, deixar a gente à deriva no meio do mar, mas nunca imaginamos isso." Depois da abordagem, as embarcações da tropa foram levadas para o porto de Ashdod, em Israel, com todos os passageiros algemados. "Quando mandaram a gente descer do barco, já tinham jogado todo o conteúdo de nossas malas no chão, estava tudo misturado. Eram roupas, laptops, pijama, escova de dentes, tudo junto." Os ativistas voltaram para a Turquia apenas com a roupa do corpo e seus passaportes. Segundo a cineasta, todas as câmeras, telefones celulares e blackberries foram confiscados pelo Exército. Ela diz que perdeu US$ 150 mil em câmeras e lentes.

Mas Iara disse que os ativistas conseguiram salvar registros do ataque que teriam sido escondidos em peças de roupas.

"A gente conseguiu salvar algumas fitas com imagens do ataque, que costuramos nas nossas roupas e não foram encontradas pelas autoridades israelenses." Iara Lee saiu do Brasil em 1989 e passou 15 anos nos Estados Unidos, onde é radicada. Nos últimos cinco anos, ela morou em diversos países, entre eles Irã, Tunísia e França, onde filmou documentários.

Fonte: BBc Brasil