domingo, 9 de maio de 2010

Brasil credor




Saiu na Página Internacional

E não é que o Brasil hoje é credor? Nosso país vai emprestar, via FMI, US$ 286 milhões à Grécia. Mas afinal de contas, isso é bom ou não?

Em primeiro lugar, é necessário termos em mente que o Brasil, como membro do FMI e, desde algum tempo, membro credor, não pode se isentar desse tipo de responsabilidade. Afinal, o país já se comprometeu a ajudar o órgão.

Além disso, também já fomos ajudados muitas vezes pelo próprio órgão quando nossas contas externas estavam ruins. Essa talvez seja uma motivação moral pouco realista (do ponto de vista das teorias de Relações Internacionais), mas uma 'falência' da Grécia poderia trazer problemas para a Europa como um todo e uma nova crise global. E evitar isso é ser bem realista.

A pergunta que se faz, no entanto, é a seguinte: para quê um país com tantos problemas, desigualdades, miseráveis e outras coisas mais vai dar uma grana para um país europeu de primeiro mundo?

Os Europeus já têm seus problemas e seus próprios mecanismos para resolver isso, não é mesmo? A própria União Européia tem seus meios de ajuda. Os outros Estados da Europa também têm uma boa grana para ajudar os companheiros. E, além disso, a política deles para os imigrantes e o pessoal de cá dos trópicos nos deixam um pouco reticentes quanto a ajudá-los.

Pois é. Isso tudo poderia até ser considerado há alguns anos atrás, mas não hoje. Em primeiro lugar, a última crise nos mostrou muito bem que o mundo está tão interligado e interdependente que uma Grécia qualquer da vida pode muito bem mexer com a vida de 200 milhões de brasileiros. E o que o governo gastaria ou deixaria de arrecadar para evitar problemas por aqui poderiam somar muito mais do que os 200 milhões emprestados para os europeus.

Um sistema interdependente gera ganhos para todos, mas também os ônus são arcados por todos.

E há uma questão estratégica envolvida. Vivemos hoje um momento de transferência do centro global de poder do norte para o sul. As grandes potência no futuro muito provavelmente serão Brasil, China, Índia, Rússia, África do Sul e outros países periféricos no contexto geopolítico atual.

Ser potência também é gastar um pouco de dinheiro. Sejamos pragmáticos: como os Estados Unidos conseguiu fazer tanta gente ficar com o 'rabo preso'? É que todos, de alguma forma, dependem ou dependeram do capital norte americano. O Brasil está começando, timidamente, a fazer isso. E o presidente Lula resumiu bem a situação quando disse: "Não somos mais pedintes".

E isso é muito importante!

Não sou muito a favor da nossa política externa, mas, dessa vez, tenho de admitir: estamos mexendo direitinho as peças!

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