terça-feira, 23 de março de 2010

Lula na ONU


Publicado em Página Internacional

O secretário-geral das Nações Unidas é o mais alto funcionário das Nações Unidas. Roosevelt chegou a nomeá-lo como "moderador do mundo", e na Carta das Nações Unidas, a posição é descrita como "chefe administrativo oficial". E segundo consta, esse é o próximo passo almejado pelo presidente Lula

Empolgado com os comentários de que seria o político mais popular da Terra (Obama), líder responsável (Clinton), irmão dos palestinos, aplausos de Chávez, dentre outros tantos, Lula anda avaliando a possibilidade de ocupar a cadeira de Ban-ki-Moon no fim de 2011. A idéia já era antiga entre os petistas, mas depois de endossada por Sarkozy em setembro, parece ter ganhado força.

A nomeação do secretário-geral é feita pela Assembléia Geral, após recomendação do Conselho de Segurança (passível de veto). Atualmente, o mandato do cargo consta de cinco anos, podendo estender-se por um segundo termo, sendo utilizado também o critério de rotação geográfica e da origem distinta dos membros permanentes do Conselho de Segurança. Basicamente, trata-se do exercício da diplomacia e mediação sobre questões globais.

Em visita ao Oriente Médio, Lula colocou-se em posição de mediador dos conflitos Israel/Palestina. O porta voz da presidência da Palestina declarou que "[...] ele poderia ser um ótimo secretário-geral da ONU, pois é um homem de paz e de diálogo e sabe negociar de maneira inteligente e admirável". E, em mais uma de suas típicas metáforas, Lula disse que "O vírus da paz está comigo desde que eu estava na barriga da minha mãe".

São 8 os que ocuparam o posto de Secretário-Geral da ONU: Trygve Lie (Noruega), Dag Hammarskjöld (Suécia), U Thant (Mianmar), Kurt Waldheim (Áustria), Javier Pérez de Cuéllar (Peru), Boutros Boutros-Ghali (Egito), Kofi Annan (Gana) e Ban Ki-moon (Coréia do Sul). Se por um lado o posto de Secretário-Geral exige muito jogo de cintura, por outro é uma posição de extrema visibilidade.

Agora vamos ao Lula. Trata-se de uma figura claramente carismática (vide popularidade) e capaz de agradar iranianos e americanos. No entanto, justamente a posição "neutra" do Brasil quanto ao Irã pode trazer impedimentos dos EUA no Conselho de Segurança em uma hipotética candidatura de Lula ao posto. Quanto à Grã-Bretanha, o ponto de atrito viria com o apoio à Argentina na disputa das Malvinas.

Mas mais do que isso, como desculpar as declarações improvisadas e gafes de um secretário-geral? Já é difícil engolir as metáforas, pérolas e posições infelizes adotadas por Lula enquanto Presidente da República, como os incidentes sobre Cuba, Rússia, Israel, para citar apenas alguns. Se diz-se que não é necessário para um estadista ser diplomado, falar outras línguas, possuir educação formal, papas na língua, etc, o mesmo vale para a chefia da ONU?

Dá pra imaginar o Lula lá?

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Ps. Essa dá pra entrar na série "Agora FHC corta os pulsos", de PHA. Lá, na caverna do ostracismo, fundos (segundo a Tia Carmela), o ex-pensador e padrinho do Zezinho deve estar inconsolável.

Um comentário:

  1. alguns nascem para ser grande, outros pra inaugurar maquete

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