domingo, 28 de fevereiro de 2010

As Malvinas

Publicado no Tijolaço:


Esta aí na foto ao lado é a plataforma de exploração Ocean Guardian – que não se perca pelo nome - que está sendo rebocada e chega até o final do mês às Ilhas Malvinas. É a primeira das plataformas enviadas para retirar petróleo ao largo das Ilhas Malvinas. Serão perfurados oito poços exploratórios.

Qualquer pessoa com conhecimentos básicos de logística de petróleo sabe que esta operação custará uma fortuna de centenas de milhões de dólares. Não existe base de terra minimamente próximas para essas plataformas, o que aumenta de forma gigantesca os seus custos. Cada equipamento e cada trabalhador terá ser trazido de milhares de quilômetros de distância e nem mesmo aeroporto capaz de suportar vôos intercontinentais há na ilha, onde a maior pista é de 900 metros, 400 metros menor que a do nosso Santos Dumont. Fala-se em trazer materiais construir uma cidade para os trabalhadores. Da Inglaterra às Malvinas a distância é de mais de 12 mil quilômetros, em linha reta. Evitando as águas territoriais brasileiras, mais de 16 mil quilômetros.

Logo, um investimento desta monta não é feito senão com indícios de uma grande quantidade de óleo, que o torne economicamente viável e lucrativo para as empresas petroleiras.

E se há petróleo em quantidade, haverá, tão certo como dois e dois são quatro, proteção militar a esta riqueza. Ou alguém acha que os ingleses vão deixar torres, terminais e navios ao alcance da aviação argentina em meia hora de vôo, sem proteção bélica?

E aí, meus amigos, estaremos diante de um dos maiores pesadelos militares que possamos ter: uma base militar aeronaval no Atlântico Sul, a pouco mais de três mil quilômetros – alcance de aviões de caça – de São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Sem falar na região do pré-sal. Do ponto de vista militar é muitíssimo pior do que as bases americanas na Colômbia.

O Brasil precisa entrar já nesta questão, diplomaticamente, antes que o impasse entre Londres e Buenos Aires se agrave mais ainda. Para começar, deixando claro que não aceitará a implantação de qualquer base militar extra-continental no Atlântico Sul. Não podemos tolerar a militarização de nossas vizinhanças e nem pretender sacrificar o povo brasileiro sendo obrigado a organizar defesas correspondentes a elas.

Esta história de petróleo nas Malvinas, eu venho dizendo aqui, se confirmada, vai ser um dos maiores impasses diplomáticos e militares que o nosso país terá de enfrentar.

______________________________________

Somando-se isso à recriação da 4ª frota naval dos EUA (para o atlântico sul), e suas bases na colômbia, podemos entender porque a insistência política por comprar caças franceses. Esse video aqui explica bem a necessidade de romper com a tecnologia dos EUA.

Por quem chora Hillary Clinton?

Publicado no Vermelho:

A morte do preso político cubano Orlando Zapata, que permaneceu em greve de fome durante 85 dias, deflagrou uma série de protestos de governos e organizações de defesa dos direitos humanos na Europa e nos Estados Unidos. Hillary Clinton, falando ao Senado, declarou estar “profundamente consternada por seu martírio em defesa de seus direitos e para alertar sobre a situação e a opressão dos presos políticos em Cuba”.

Por Gilson Caroni*, em Carta Maior
Faltou algo no lamento da secretária de Estado norte-americana. E essa incompletude advém da impossibilidade de analisar fenômenos políticos sem a aplicação concreta da relação dialética entre o universal e o concreto.

Se por direitos humanos entendemos princípios inalienáveis que objetivam resguardar os valores fundamentais da pessoa humana, ou seja, direitos que procuram assegurar a solidariedade, a igualdade, a fraternidade, a liberdade e a dignidade do individuo, como efetivá-los em uma ordem internacional hegemonizada pelo capital que o define como absoluto abstrato?

E que, ao fazê-lo, nega a esse mesmo indivíduo a sua realidade concreta, a possibilidade de pensar seus problemas, angústias e desventuras como algo exterior aos ditames da lei do valor. A questão que se coloca é quanto à compatibilidade entre capitalismo e direitos humanos. Talvez esteja nesse ponto a precisão das palavras do presidente cubano, Raul Castro, que atribuiu a morte de Zapata “ao confronto que temos com os Estados Unidos”

Como destacou o jornalista Sérgio Augusto, em memorável artigo para Encontros com a Civilização Brasileira (agosto, 1978) “ficou difícil acreditar na bondade dos americanos depois das 159 intervenções armadas levadas a cabo pelos EUA, antes de 1945, e no pós-guerra, na Coréia, na República Dominicana, no Vietnã — sem contar os golpes que incentivaram no Líbano, na Guatemala, no Irã, na Turquia, na Grécia, na Argentina, em Myanmar, na Indonésia, em Gana, no Chile, no Brasil,etc. Sempre, é claro, com os mais elevados propósitos, como não se cansa de difundir a inseparável máquina de propaganda do “Mundo Livre”, na qual sobressaem a grande imprensa, dita liberal e isenta e as agências transnacionais de notícias com a assessoria ocasional da CIA”.

Passados 32 anos da publicação, não é difícil atualizar os números do texto, dada a manutenção dos métodos. A prática tradicional da política externa norte-americana continua ignorando violações de direitos em ditaduras consideradas vitais para seus interesses estratégicos.

Se a oposição à tortura, à pena de morte e à prisão por questões de consciência constitui um programa capaz de unificar atores de orientações políticas distintas e diferentes procedências geográficas, não se pode ignorar que todos os países contêm, dentro dos seus sistemas sociais, contradições que, ao criar tensões, se traduzem em transgressões aos direitos humanos. Os Estados Unidos, recordistas na aplicação da pena de morte, mantêm presos, desde 1998, cinco cubanos, radicados em território norte-americanos, sob acusação de espionagem.

Antonio Guerrero, Fernando González, Geraldo Hernández, Rafael Labañino e René González estão detidos sem que nenhum tipo de crime tenham cometido. Permanecem aprisionados por monitorar atos de grupos terroristas instalados em Miami. Por eles, Hillary Clinton não fica “profundamente consternada”. Muito menos pelos 188 homens ainda detidos em Guantánamo sem acusação, julgamento ou qualquer tipo de amparo judicial.

Permanece atual o relatório da Anistia Internacional, de 2005. Sob o pretexto de combater o terror, o governo estadunidense se dedicou a fundo para restringir as regras da Convenção de Genebra, terceirizando a tortura. Na introdução, o documento é categórico: “Quando o país mais poderoso do mundo se burla do Estado de direito e dos direitos humanos, está dando permissão para que outros países cometam abusos com impunidade e audácia”. Melhor, impossível.

* Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil

Fonte: Carta Maior

Plano FHC. E se fosse o plano Dilma????

Publicado em Conversa Afiada

Sugestão do amigo navegante maximillan:

Enviado em 13/02/2010 às 11:31

PHA
Preste atenção nesse vídeo num dos atos de lançamento do Plano Real.
A cobertura da GLOBO-pig o chama de “PLANO FHC”.
Imaginem se hoje o PAC e o MINHA CASA MINHA VIDA se chamassem “PLANO DILMA”, isso caracterizaria campanha antecipada ou não?

Veja o video aqui.

_______________________________________________


Ps: E ainda por cima, é preciso lembrar de que o Plano Real não é mérito da gestão tucana, assim como os genéricos ou os programas de fornecimento de medicamentos para portadores de HIV não são obras do Serra.



Zé Alagão sobre a chuva: "Alguém tem mais alguma pergunta sobre a ciclovia?"


Publicado em Terra Magazine

Repercutido em Conversa Afiada

Marcela Rocha

Sob um céu acinzentado que prometia chuva, no lançamento de ciclovia na margem do rio Pinheiros, o governador de São Paulo José Serra (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (DEM) andaram de bicicleta. Serra iniciou o trajeto com capacete e alerta da esposa, Monica Serra: "Tem que ter cuidado, meu bem".

No final do anúncio, Serra se dirigiu aos jornalistas para responder perguntas sobre os 14 quilômetros de ciclovia entregues à cidade. Ao ser questionado por um repórter sobre o estado de calamidade pública decretado há quase um mês por conta das chuvas, o governador respondeu:

- Alguém tem algo mais a perguntar sobre a ciclovia?

Diante de um breve silêncio resposta negativa dos jornalistas, Serra deixou a coletiva.

Na inauguração da ciclovia também estavam o secretário de transportes José Luiz Portella, o secretário de Esportes Walter Feldmann e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Na iminência do lançamento da sua candidatura a presidência da república, prevista para o final de março, Serra distribuiu afagos aos ciclistas presentes.

Ainda assim, uma ciclista não deixou de comentar aos mais próximos o mau cheiro do rio Pinheiros: "Que vergonha! Como eles tem coragem de deixar esse rio assim".

Tanto o prefeito Gilberto Kassab quanto o governador José Serra andaram de bicicleta na inauguração. Serra saiu da Vila Olímpia e pedalou cerca de 1,8 km até a ponte estaiada.

A ciclovia está sendo implantada ao longo da Linha 9-Esmeralda (Osasco-Grajaú). A previsão do governo é de que até o final deste ano, outros seis quilômetros de ciclovia sejam entregues, chegando até a estação Villa Lobos/Jaguaré, com um total de 20 quilômetros de extensão.

Terra Magazine

_____________________________________________

Ps: Teremos agora o caso inédito em São Paulo de alagamento de ciclovia. Deve fazer parte do programa de esportes pluviais do Zé Alagão


O que mais a Globo esconde?


Publicado em O Provocador


Inúmeros colegas da imprensa já deram o recado: a audiência dos Jogos Olímpicos de Inverno foi surpreendente. Quem achava que a Record ia entrar numa fria se deu mal.

O povo não é bobo. É capaz de ligar seu televisor para conhecer e se encantar com novidades. O brasileiro é curioso e tem bom gosto. Não é o estúpido que alguns barões da mídia acham.

O que me interessa discutir aqui não são as estranhas regras do curling ou do skeleton, mas as entranhas de outro jogo. O de esconde-esconde. Não aquele da infância de todos nós. Mas a brincadeira que a Globo faz com seus telespectadores.

A Velha Senhora detinha os direitos de transmissão dos Jogos de Inverno há anos. Mas o escondeu de todos nós. Pagou para não exibir. Nem deixar que outros exibissem. Encastelada no Jardim Botânico, decidiu o que uma nação gostaria ou não de acompanhar. Talvez porque nos julgue estúpidos demais.

Mas tão estúpidos que a Globo resolveu simplesmente ignorar os Jogos de Vancouver. Não deram um segundo sequer sobre esse fenômeno que tomou conta das nossas telinhas. Esconderam de novo! Em resposta ao Estadão, que no último dia 19 publicou a pergunta óbvia (por que vocês não falaram dos Jogos de Inverno?), veio a arrogância.

Descreve o jornal: “a emissora alega que não falou sobre o evento porque não viu fato ‘relevante’ (um competidor morreu em uma prova), não possui os direitos de transmissão – que foram da Globo até 2006 e agora são da Record – e porque não possui ninguém de sua equipe lá cobrindo. Opa: e a turma do Sportv?”, conclui a colunista Keila Gimenez.

Traduzindo: em 2006 foram realizados os Jogos de Inverno de Turim, na Itália. Lembra? Não, ninguém pode lembrar, só os executivos mestres globais.

A morte do atleta georgiano, no luge, foi tão irrelevante que a imprensa mundial noticiou. Sobre a turma do Sportv, eles são da Globo, estão lá, dividem a cobertura de inúmeros outros eventos, vivem usando microfone com o logotipo das duas emissoras, mas neste caso… e agências de notícias? Coitada, a Globo não deve assinar nenhuma delas.

Esse esconderijo platinado é bem amplo, nele cabe um montão de coisas. Nesse esconde-esconde, ficamos sem ver as Diretas Já. Esconderam mais de um milhão de pessoas no comício do Anhangabaú. O Lula só apareceu quando virou presidente da República. Aí não dava mais pra esconder.

Leonel Brizola e Luís Carlos Prestes não tiveram a mesma sorte. Sumiram.

Precisaram morrer para aparecer. Aí já era tarde. Só de uma coisa eu não reclamo. A Glória Maria pode continuar escondida.

A Globo, pensando bem, escondeu o quanto pode a história do Brasil. Quem estudar nosso país pelos arquivos do Jornal Nacional nem vai saber que houve uma ditadura militar.

Por isso, temos que torcer para que a concorrência aumente. Para que não haja líder absoluto, concentração de poder, esconderijos.

Aí, sim, a Velha Senhora vai ter que se esconder. De vergonha.

__________________________________________________________________


Ps: O leitor não pode esquecer o provável comprometimento da notícia com a tentativa de defesa da Record, pois o autor da postagem é jornalista lá. Por conta disso, dêem uma passada no Cloaca para ver mais um lado da história.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O que resta da ditadura

Publicado no Vi o Mundo

Livro avalia o triste legado da ditadura militar em diversas esferas da vida social brasileira hoje em dia

A obra O que resta da ditadura: a exceção brasileira, organizada por Edson Teles e Vladimir Safatle, reúne uma série de ensaios que esquadrinham o legado deixado pelo regime militar na estrutura jurídica, nas práticas políticas, na literatura, na violência institucionalizada e em outras esferas da vida social brasileira.

"Vivemos atualmente dias de inquietude e incerteza. [...] Tenho a convicção de que o nosso Exército saberá, como sempre, contornar tão graves inquietações e continuará, a despeito de qualquer decisão, protegendo a nação do estrangeiro e de si mesma."

Para ler mais, clique aqui.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Convite à Filosofia

O livro pode ser encontrado em pdf aqui. Caso o link não funcione, procure pelo título do livro no Google. É fácil encontrar.

(A matéria da semana que vem está nos capítulos 5 e 6 [respectivamente, Linguagem e Pensamento] da unidade 4 do arquivo pdf. ATENÇÃO: Notem que no livro impresso a unidade é a de número 5)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Blue Bus: Metrô SP tenta evitar documentário sobre cratera


Publicado em Vi o Mundo

Atualizado e Publicado em 19 de fevereiro de 2010 às 11:43

publicado em 19/02/2010 - 07:35

Metrô SP tenta evitar documentário sobre cratera no Discovery

do Blue Bus, por sugestão do Adir Tavares

O desabamento nas obras da estaçao do Metrô Pinheiros (zona oeste de Sao Paulo) em 2007 pode virar documentário no Discovery Channel.

A ressurreiçao do assunto, no entanto, esbarrou na direçao do Metrô. No mês passado, produtores do canal tentaram entrevistar dois geólogos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), responsáveis pelos laudos do acidente. O instituto, que se pronunciou à imprensa na época da conclusao dos laudos, proibiu seus técnicos de falarem ao canal. Na ocasião, o Discovery argumentou ao IPT que queria enquadrar a tragédia da cratera do Metrô em um documentário sobre desastres naturais, mas, mesmo assim, nao obteve as entrevistas.

O IPT, via assessoria de imprensa, diz que, para se pronunciar, depende da autorização do Metrô. Alega que há uma cláusula de sigilo em seu contrato sobre o trabalho executado no acidente da Linha 4.

As vantagens de um Irã nuclear

Publicado em Vi o Mundo:

por Aetius Romulous, “Speaking Freely”, no Asia Times Online

É possível que o Irã esteja construindo “a bomba”. O Irã, assim, seria a segunda potência na Região a possuir a bomba, e certamente seria a primeira de uma rápida sequência de Estados regionais com o dinheiro e os talentos necessários para comprar a bomba. Além disso, essa proliferação de Estados com bomba é função da economia e, como tal, inevitavelmente, não será contida por nenhum tipo de medida racional.

De fato, “a bomba” propriamente dita é apenas mais uma ficha do jogo de barganha entre os Estados-bomba já estabelecidos, que a usam para obter vantagens na direção do que realmente lhes interessa, a saber... o petróleo.

Para ler o artigo completo, clique aqui.


Desmonte da Petrobrás

Publicado no Vi o Mundo:

Crimes sem castigo

por Fernando Siqueira, da Associação dos Engenheiros da Petrobrás

26/05/2009

Aepet denuncia 10 estragos do governo FH na Petrobrás

Em reação às crescentes manifestações contra a chamada CPI da Petrobrás, criada pela oposição ao governo Lula, o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE) disse que as críticas dos manifestantes vão "bater no vento". "Não estamos atacando a Petrobrás, estamos defendendo a empresa. Vamos atrás de gente que não merece estar nessa empresa. É desnecessária a forma como se deu o discurso ofensivo contra o PSDB, isso já compromete essa manifestação na sua origem", avaliou Guerra, em matéria no Jornal do Brasil, dia 22.

Para refrescar a memória do senador e demais entusiastas da CPI, Fernando Siqueira, presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet), selecionou "Dez estragos produzidos pelo governo FHC no Sistema Petrobrás", que o jornal Hora do Povo publicou e o Portal do Mundo do Trabalho reproduz a seguir.

Para ler o artigo completo, clique aqui.

Ps: E o Sr. Fernando Siqueira nem falou da P-36. . .

Padrão Homer de jornalismo


Postado em Conversa Afiada:

O editor-chefe considera o obtuso pai dos Simpsons como o espectador padrão do Jornal Nacional. Ele é preguiçoso, burro e passa o tempo no sofá, comendo rosquinhas e bebendo cerveja. Na reunião matinal, é Bonner quem decide o que vai ou não para o ar Pauta. (para ler mais, clique aqui)